Quarta-feira, Abril 02, 2008

- I -


A janela do meu quarto
- Que vê nada, que vê tudo -
Do mais sombrio parto
Vê nascer a noite de veludo.
Ah, janela do meu porto,
Quantos segredos velas?
Quantas visões tu levas
No teu aço frio e morto?
Espias dentro e fora
Do meu pequeno mundo,
E a cada pulsante hora

Me descobres mais fundo.
Sabes o que há em mim
E em todo corpo da rua.
Conheces a pele nua
De minhas amantes, enfim...
Ah, janela do espanto,
Que dirias em tua muda voz
- Tu que viste tanto -

Que dirias a nós?
Mas a janela rendada
- Como boa confidente -
Se faz de pura e inocente:
Fica dura e bem calada...
Ah, janela do meu ser
- Que vê nada, que vê nada -

Com tua visão gelada,
Me ensina o que é viver?

3 comentários:

Ana Luiza disse...

Ah, janela do meu ser
- Que vê nada, que vê nada -
Com tua visão gelada,
Me ensina o que é viver?

E aquelas janelas fechadas dentro do nosso "ser"?
O que elas vêem?E nada sentem...

Perfeita e enveludada,uma poesia de caixinha:)
Beijos lindo!

Felipe L'ardigari disse...

São tantas janelas...

E quantas delas estão abertas? E tantas lacradas...

Tuas poesias são sempre o vento que escancara cada uma destas janelas.

- uma observação a parte, e nada relacionada: defenestrar, vem do francês, e significa "jogar pela janela". Haehaha!

Abração, fauno amigo!

vitor__nwn disse...

Interessante. Boa idéia pra uma cena de filme, uma idéia de direçao de filme, creio...uma janela é algo que realmente pode significar coisas bem interessantes, ainda mais por meio da poesia, de um filme, de artes em geral =]

uma psicodelia em preto e branco, eu diria hehehehe

abraço velho