
Eram seis horas da tarde.
No sol que morria lento,
A praia procurava aconchego
Como quem se esqueceu
De sonhar.
Um toco de cigarro ainda arde
Abandonado no frio vento.
Todo movimento eu nego
- Procuro a lua que não nasceu,
No mar.
Era a noite fresca que se anunciava?
Que tristeza larga e sombria
Era aquela? Via-se de longe
A solidão das ondas e as aves
A voar...
E a escuridão ali e acolá pousava,
O sol, ainda escaldante, morria,
Como um cintilante e nobre monge
Que carregava, seriamente, as chaves
Do lembrar...
Mas no firmamento doce e sutil
Inda não se via a piedosa dama
Com seu sorriso apaixonante
- Por quem que ela sorri? -
A brilhar.
Tudo fora, no final das contas, inútil...
Deitei-me n'areia - o chão como cama -
E o laranja findou-se, vigilante:
Finalmente, eu também morri
De tanto amar...



4 comentários:
...Um toco de cigarro ainda arde
Abandonado no frio vento...
É isso que eu mais amo na tua poesia, a riqueza dos detalhes de futilidades da vida.
Lindíssimo.
Beijos minha puta!
Como parafrasear - ou apenas repetir a frase - é viver, eu digo: "um dia a areia branca seus pés irão tocar..."
E por mais que essa seja uma frase do tipo "descanse em paz", não vejo um melhor momento para usá-la: "que a terra lhe seja leve".
Que a cada deitada na areia, usando-a como colchão e travesseiro, as coisas melhorem. E que o céus, junto com as estrelas, sejam um bom cobertor. (E, não, não fumei!)
Não fumou mas viajou. Amo meus amigos chapados.
:D
Procuras a lua que não nasceu no próprio mar, e não poderia ser o mar um pedaço teu? Ou o que for despedaçado...
Ou todo o amor que sentes. Ou o que quer sentir. Ou o que já deixou de sentir. Gosto de olhar pro mar e perceber como as ondas sussurram sobre a vida. E os reflexos do céu, também...
Abraço, hermano! Nas tuas palavras, fiquei embasbacado. Hahauhua =)De verdadinha, nas da Lu.
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