Desde que partiste,
Guardo de ti a saudade,
Um cacho de cabelo
E um brinco - solitário,
Falecido de seu par.
*
Um brinco em formato
De coração... Ironicamente.
*
Desde que partiste,
Tranquei
Meu coração
Em um baú
E joguei-o
Ao mar.
Segunda-feira, Novembro 02, 2009
- 97 -
Olhei o espelho:
Dura crosta de concreto,
Estátua estática do desespero
- Mas, por dentro,
Não sou assim.
Por dentro me derreto
Em lágrimas...
Dura crosta de concreto,
Estátua estática do desespero
- Mas, por dentro,
Não sou assim.
Por dentro me derreto
Em lágrimas...
- 78 -
Quem deu esse toque
De melancolia atônita
Ao meu ser desmesurado?
- Eu sou só coração.
Uma doçura gigante,
Desfilando dores atrozes
Nas manhãs tristes
Da vida.
Eu nasci
Para sofrer?
De melancolia atônita
Ao meu ser desmesurado?
- Eu sou só coração.
Uma doçura gigante,
Desfilando dores atrozes
Nas manhãs tristes
Da vida.
Eu nasci
Para sofrer?
- 3.215 -
Eu nasci
Para a fumaça
Das manhãs pálidas,
Para o enigma da noite,
Para o aborto da aurora.
Eu nasci...
E perdido em teu seio
Procuro o traço que conduza
O que ainda há de consciência.
Gozo...
Desfaço-me;
Absorve-me
teu ventre de barro...
O dia que corre lá fora
- Austero e amargo -
Traz consigo uma luz
Que não consta nos manuais;
É paixão!?
Não,
Paixão
É sofrimento.
Para a fumaça
Das manhãs pálidas,
Para o enigma da noite,
Para o aborto da aurora.
Eu nasci...
E perdido em teu seio
Procuro o traço que conduza
O que ainda há de consciência.
Gozo...
Desfaço-me;
Absorve-me
teu ventre de barro...
O dia que corre lá fora
- Austero e amargo -
Traz consigo uma luz
Que não consta nos manuais;
É paixão!?
Não,
Paixão
É sofrimento.
Sábado, Outubro 17, 2009
- 888 -
Tu perdeste de tuas mãos
Minhas mãos,
Perdeste de teu olhar
Meu olhar.
O que poderá restar? Essa
Estranha e vazia e paralítica
Sensação de que poderia ter sido bom
- Porém não tivemos coragem...
O que poderá restar?
A busca de algum traço de perfeição,
A lembrança do bálsamo do amante?
O que poderá restar? Se tudo que ainda sou
É a lembrança pequena e quente que guardo
Dos teus lábios colados em meus lábios?
Minhas mãos,
Perdeste de teu olhar
Meu olhar.
O que poderá restar? Essa
Estranha e vazia e paralítica
Sensação de que poderia ter sido bom
- Porém não tivemos coragem...
O que poderá restar?
A busca de algum traço de perfeição,
A lembrança do bálsamo do amante?
O que poderá restar? Se tudo que ainda sou
É a lembrança pequena e quente que guardo
Dos teus lábios colados em meus lábios?
- 5.432 -
No final do mundo
- Ou pelo menos, amigos,
Amigas,
No final do meu mundo -
Meu olhos estagnados
Serão
Brevemente
Uma lembrança
Desse desespero todo
Que aflige meu corpo cru,
Que lacera minha alma nua.
Meus olhos serão o brilho
Da desesperança.
- Ou pelo menos, amigos,
Amigas,
No final do meu mundo -
Meu olhos estagnados
Serão
Brevemente
Uma lembrança
Desse desespero todo
Que aflige meu corpo cru,
Que lacera minha alma nua.
Meus olhos serão o brilho
Da desesperança.
- 899.974.653 -
Todo o silêncio se desdobra,
Se multiplica
Nas ondas da noite
E do acaso rouco.
Cansaço, eu diria,
Ou pura melancolia
- Ou puro tédio.
Simplesmente a solidão.
Onde foi que guardei
- Há tanto tempo -
Meus cabelos compridos?!
Onde estão minhas perucas,
Minhas pinturas, minhas máscaras?!
Tudo o que havia, perdeu-se de mim...
Se multiplica
Nas ondas da noite
E do acaso rouco.
Cansaço, eu diria,
Ou pura melancolia
- Ou puro tédio.
Simplesmente a solidão.
Onde foi que guardei
- Há tanto tempo -
Meus cabelos compridos?!
Onde estão minhas perucas,
Minhas pinturas, minhas máscaras?!
Tudo o que havia, perdeu-se de mim...
Terça-feira, Outubro 13, 2009
- 420 -
Eu esperava que teus seios
Escorressem
Em minha boca
Humilde e ávida,
E que, depois,
Esta mesma boca
Encontrasse repouso
Em tuas pernas.
Eu esperava devorar
Teu pescoço
Lentamente,
Mas aconteceu
Que por tamanha espera
Sequer toquei teus cabelos.
Escorressem
Em minha boca
Humilde e ávida,
E que, depois,
Esta mesma boca
Encontrasse repouso
Em tuas pernas.
Eu esperava devorar
Teu pescoço
Lentamente,
Mas aconteceu
Que por tamanha espera
Sequer toquei teus cabelos.
- 8259 -
Eu não existo
- Bem, já não sei se quero
Existir, de fato -
Mas deslizo
Silenciosamente
Por mundos
Que ninguém conhece.
Deslizo
- Suave e buliçoso -
Nas formas
- Nas ondas -
Da fumaça
Do fumo.
- Bem, já não sei se quero
Existir, de fato -
Mas deslizo
Silenciosamente
Por mundos
Que ninguém conhece.
Deslizo
- Suave e buliçoso -
Nas formas
- Nas ondas -
Da fumaça
Do fumo.
Sexta-feira, Outubro 02, 2009
- 32.879 -
Não tenho o que pensar
- Ou mesmo motivos
Para pensar. A vida,
Afinal de contas,
Passa a ser simplesmente
Mais feliz
Quando o ser
Veste-se de nada
- E a felicidade é tudo
Que importa,
Não?
- Ou mesmo motivos
Para pensar. A vida,
Afinal de contas,
Passa a ser simplesmente
Mais feliz
Quando o ser
Veste-se de nada
- E a felicidade é tudo
Que importa,
Não?
Sexta-feira, Setembro 25, 2009
- 587.164.580 -
Meu ser se perdeu de mim, deixou ao relento
Essa casca seca e retorcida que hoje arrasto
- Casca desprovida de poesia, casca que invento
E que, sobre ombro dolorido e imensamente vasto
Sustento, só por sustentar. Ócio de meus dias,
Eterna desvontade de existir. Que posso fazer
Se o amor que em mim bem querias
Se extinguiu de todo prazer?
Já não sou o que eu era,
Já não sei mais me sentir, então;
E - em plena primavera -
Me imunizo de qualquer paixão...
Meu rosto esquecido seca triste
Numa estação que inexiste.
Essa casca seca e retorcida que hoje arrasto
- Casca desprovida de poesia, casca que invento
E que, sobre ombro dolorido e imensamente vasto
Sustento, só por sustentar. Ócio de meus dias,
Eterna desvontade de existir. Que posso fazer
Se o amor que em mim bem querias
Se extinguiu de todo prazer?
Já não sou o que eu era,
Já não sei mais me sentir, então;
E - em plena primavera -
Me imunizo de qualquer paixão...
Meu rosto esquecido seca triste
Numa estação que inexiste.
Quinta-feira, Agosto 27, 2009
- 7.849 -
Se fosse uma árvore,
Seria uma Figueira
Solene e solitária
Perdida num pampa
Qualquer.
Só me curvaria ao pasto
- verde e vasto -
E só me afagaria o vento.
E na madrugada fria
Viria se aconchegar,
Cantando,
Nos meus cabelos
Um passarinho negro.
Seria uma Figueira
Solene e solitária
Perdida num pampa
Qualquer.
Só me curvaria ao pasto
- verde e vasto -
E só me afagaria o vento.
E na madrugada fria
Viria se aconchegar,
Cantando,
Nos meus cabelos
Um passarinho negro.
Domingo, Agosto 16, 2009
- 408.777 -
Que canção
- Frenética e visceral -
Não cantaria
Teu corpo moreno
Se eu dedilhasse
Tuas cordas
Pelas horas
Soturnas?
Que canção,
Que nota?
Um suspiro
Trêmulo e desafinado
Nas bordas da tua boca;
Um beijo desesperado!
E a sinfonia
De tua pele
A rasgar
A noite.
- Frenética e visceral -
Não cantaria
Teu corpo moreno
Se eu dedilhasse
Tuas cordas
Pelas horas
Soturnas?
Que canção,
Que nota?
Um suspiro
Trêmulo e desafinado
Nas bordas da tua boca;
Um beijo desesperado!
E a sinfonia
De tua pele
A rasgar
A noite.
- 842.675 -
Te procuro
- Sem saber teu rosto -
Para que o mistério
Do teu sorriso
Ferva
Minha alma
Invernal
E toda luz
Desabroche
Em Primavera.
- Sem saber teu rosto -
Para que o mistério
Do teu sorriso
Ferva
Minha alma
Invernal
E toda luz
Desabroche
Em Primavera.
- 28 -
Se são o mesmo
Todos os poemas,
São o mesmo
Todos os amantes:
É no amor, apenas,
Que a alma pensa
Antes
- Quente, lenta e densa,
A vida dança.
Todos os poemas,
São o mesmo
Todos os amantes:
É no amor, apenas,
Que a alma pensa
Antes
- Quente, lenta e densa,
A vida dança.
Quarta-feira, Julho 29, 2009
- 626.126 -
Quando passas
- Recolhendo olhares,
Distribuindo sonhos -
Que vontade
De me agarrar
Nessa tua cintura
E sugar
- Desesperadamente
Sugar -
Até
O último
Fio
Do teu gozo.
- Recolhendo olhares,
Distribuindo sonhos -
Que vontade
De me agarrar
Nessa tua cintura
E sugar
- Desesperadamente
Sugar -
Até
O último
Fio
Do teu gozo.
- 78.012 -
Quero doar-me
As massas:
Bocas que percorram
- Dentes que perfurem -
Minha carne.
Mãos que alimentem
O que há de prazer;
Braços que embalem
O hedonismo cego
E insano.
Quero a dor profunda
Dos lábios que
- Sem questionar -
Calam-se
Uns nos outros.
As massas:
Bocas que percorram
- Dentes que perfurem -
Minha carne.
Mãos que alimentem
O que há de prazer;
Braços que embalem
O hedonismo cego
E insano.
Quero a dor profunda
Dos lábios que
- Sem questionar -
Calam-se
Uns nos outros.
- 46.046 -
A alma enche-se
De desesperança,
De desespero;
Seca a última
Camada
De concreto
- O coração.
A vida segue
O baile:
Entre danças
Decadentes
E porres,
Tentamos
Respirar
Em vão...
De desesperança,
De desespero;
Seca a última
Camada
De concreto
- O coração.
A vida segue
O baile:
Entre danças
Decadentes
E porres,
Tentamos
Respirar
Em vão...
- 14.293 -
Eu canto
Os cantos
Do mundo,
Os buracos,
As frestas;
Os desencantos
E os morimbundos.
O amante
E o inseto rastejante
Que dormem
Em leitos
úmidos,
Cobertos
De poeira
E esquecimento.
Eu canto
Os cantos da cidade,
O concreto,
O cimento...
Os cantos
Do mundo,
Os buracos,
As frestas;
Os desencantos
E os morimbundos.
O amante
E o inseto rastejante
Que dormem
Em leitos
úmidos,
Cobertos
De poeira
E esquecimento.
Eu canto
Os cantos da cidade,
O concreto,
O cimento...
- 92.078 -
De quantas ilusões
É feita
Nossa frágil carne?
Quanto tempo nos resta
Meio aos restos
E rejeitados?
Seria mais simples
Ser uma árvore
E simplesmente
Existir.
É feita
Nossa frágil carne?
Quanto tempo nos resta
Meio aos restos
E rejeitados?
Seria mais simples
Ser uma árvore
E simplesmente
Existir.
Sexta-feira, Junho 26, 2009
- Despedaçado -
Ah, absorver-te toda em meu ser,
Saber que a tarde corre lenta,
E que nosso mundo não desabará...
Ah, a consciência de tua pele...
Os pequenos fragmentos coloridos
Desta felicidade antes desconhecida:
Como me fazem sair do chão...
Como me fazem sair do corpo...
Eu, em minha loucura mais tenra,
Em minha carícia mais louca
- Eu, deslocado do mundo -
Saio do meu corpo despedaçado...
Saio do meu corpo, para chegar no teu...
- 68.235 -
As moças
Batem-boca
Na sala.
As moscas
Batem-asa
Na sala.
Há o tédio
E o cheiro
Inigualável
Das flores da noite.
Há tantas cores
a serem vistas
- Mas meus olhos
Estão incolores
De saudade
De teus olhos.
Batem-boca
Na sala.
As moscas
Batem-asa
Na sala.
Há o tédio
E o cheiro
Inigualável
Das flores da noite.
Há tantas cores
a serem vistas
- Mas meus olhos
Estão incolores
De saudade
De teus olhos.
- 465.123 -
Esse amor
Que flutua
Por estas ruas,
Atrás de alguém
Fluido como o vento,
Não sabe quanto tempo
De vida lhe resta.
Esse amor está condenado!
É um absurdo! Faz parte
Do passado...
Esse amor que procura
Olhos que não se apaguem
Nas trevas
E pés de passos leves
- Esse amor
Nem existe
Mais.
Que flutua
Por estas ruas,
Atrás de alguém
Fluido como o vento,
Não sabe quanto tempo
De vida lhe resta.
Esse amor está condenado!
É um absurdo! Faz parte
Do passado...
Esse amor que procura
Olhos que não se apaguem
Nas trevas
E pés de passos leves
- Esse amor
Nem existe
Mais.
- 75.084 -
O felino
É frio e duro
Como a pedra
Como o homem
- O felino
Pela sabedoria,
O homem pelo
Sofrimento.
É frio e duro
Como a pedra
Como o homem
- O felino
Pela sabedoria,
O homem pelo
Sofrimento.
Quinta-feira, Junho 25, 2009
- Ana -
Ana, a distância física
Impediu que compartilhassemos
Lábios
- Mas toda noite,
Quando durmo,
É com tua carne
Que comungo
Em meus sonhos.
Impediu que compartilhassemos
Lábios
- Mas toda noite,
Quando durmo,
É com tua carne
Que comungo
Em meus sonhos.
- 580.930 -
Na solidão da madrugada jovem,
Iluminado por luz que nem sei,
Fechei devagar os olhos
E - lembrando tua doçura -
Juro que senti de novo
Tua maciez morna
Em minhas mãos.
Iluminado por luz que nem sei,
Fechei devagar os olhos
E - lembrando tua doçura -
Juro que senti de novo
Tua maciez morna
Em minhas mãos.
Quarta-feira, Junho 24, 2009
- 2.514 -
Para Camila Bueno, onde estiver.
Sonhei contigo esta manhã
E acordei com o sabor
Delicioso dos teus sorrisos
Estampado em tudo.
Que saudade tua
- Viste o rio noturno
Ao meu lado,
Me ensinaste
As palavras
Dadaísmo e Apoplexia...
O que foi feito de nossa inocência
Nestas léguas de distância?
Sonhei contigo esta manhã
E acordei com o sabor
Delicioso dos teus sorrisos
Estampado em tudo.
Que saudade tua
- Viste o rio noturno
Ao meu lado,
Me ensinaste
As palavras
Dadaísmo e Apoplexia...
O que foi feito de nossa inocência
Nestas léguas de distância?
- 29.837 -
Espero pelo amor,
Mas ele se arrasta
Lento e soturno
E misterioso:
Quando
- Enfim -
Conhecerei
Teu rosto?
Mas ele se arrasta
Lento e soturno
E misterioso:
Quando
- Enfim -
Conhecerei
Teu rosto?
Segunda-feira, Junho 22, 2009
- Júlia -
Lembrei
- De repente -
Dos seios de Júlia,
Dos beijos de Júlia,
E o dia tomou um brilho
Imortal...
E o céu ficou tão azul
Quanto os olhos dela.
- De repente -
Dos seios de Júlia,
Dos beijos de Júlia,
E o dia tomou um brilho
Imortal...
E o céu ficou tão azul
Quanto os olhos dela.
- 875 -
Roubai meus olhos,
Drenai meus instintos,
Noite que cai
E mata o sol.
Levai-me as cores
Doloridíssimas
- Coloridíssimas -
Do crepúsculo
Mas nunca, por favor,
Nunca leves
A luz daquele ser.
Que aquele sorriso
Sempre prevaleça
Triunfante sobre as trevas.
Drenai meus instintos,
Noite que cai
E mata o sol.
Levai-me as cores
Doloridíssimas
- Coloridíssimas -
Do crepúsculo
Mas nunca, por favor,
Nunca leves
A luz daquele ser.
Que aquele sorriso
Sempre prevaleça
Triunfante sobre as trevas.
Urbana I
Se mergulho no teu ventre
É pra esquecer dessas banalidades
Da vida,
É pra esquecer
Da vida,
É pra viver...
Mas - quanta tristeza -
A poesia desse teu ventre
Só quer me afogar.
É pra esquecer dessas banalidades
Da vida,
É pra esquecer
Da vida,
É pra viver...
Mas - quanta tristeza -
A poesia desse teu ventre
Só quer me afogar.
Terça-feira, Janeiro 27, 2009
270109
Quarta-feira, Dezembro 31, 2008
Quarta-feira, Novembro 26, 2008
1987
Terça-feira, Outubro 28, 2008
- IV -
Segunda-feira, Outubro 27, 2008
- Avulsa -
Quarta-feira, Outubro 22, 2008
Falando de amor

Eu nunca sei o que falar. Quer dizer... o que sinto, às vezes, é uma grande mágoa. Não em relação ao que poderia ter acontecido - suposições não me tiram mais o sono - mas em relação ao que eu fiz. Sei que fui um babaca - isso me é claro hoje - e olhando depois desse tempo todo, algumas falhas minhas me parecem mais visíveis. Quem me dera conhecer todas elas. Algum dia, realmente gostaria de conversar contigo, sabe? Colocar tudo em pratos limpos, tudo. O pior é pensar que me vendi como um galã, mas recebeste um saco de coco. Não atendi às expectativas, né? Realmente, a minha única intenção era te agradar.
Sei que sou calado, sempre foi característica minha. Às vezes, fico sem assunto nenhum, mas gostaria de ter te contado mais sobre a minha vida (será que gostarias de saber?). Continuo com esse ar contemplativo até hoje, mas a minha confusão sobre as coisas, sobre os males do mundo, sobre a maldade das pessoas, sobre amar e sofrer... Enfim, minha confusão existencial persiste - e só aumenta. É realmente difícil achar um lugar confortável ultimamente. Escrever é algo que já nem cogito. Quer dizer... É, eu sou calado, mas juro que sempre que não tinha o que dizer, ficava contemplando teu sorriso. Nossa, como eu amo teu sorriso! Putz... é foda ser sincero dessa forma, sabe? Eu não sou de me abrir, mas sempre fui devotado.
Comentei com poucas pessoas o que aconteceu. Sobre o que sinto - ou sintia - só falei algumas partes soltas, para um amigo ou outro... Não citei teu nome: nestas narrativas curtas, sempre foste simplesmente uma fada, uma aparição perfeita e onírica que veio me assaltar no leito e que eu nunca superei de fato. Acho tão tosca essa história de superar, sabe? Vou sempre levar a tua essência comigo, onde quer que eu vá, ainda que não sintamos mais o mesmo. Meu amor por ti se transformou, de forma que sinto uma admiração gigantesca pela mulher que te tornaste.
Ah! E que mulher te tornaste. Posso dizer que sou o cara mais sortudo do mundo: quando eu te conheci, eras uma coisinha pequena e feliz - tá, continuaste sendo depois, mas, incrivelmente, sei que presenciei o exato momento da tua transição de menina à leoa. Essa foi uma das experiências mais enriquecedoras de minha vida. Eu, particularmente, te dei pouco, sei disso hoje.
Sei lá, tudo parece meio trosco se olhado por esse meu ângulo, mas eu me sinto maduro agora, e há tempos preciso falar isso tudo. Ser sincero é foda, é desconcertante. Quer dizer... Quem sabe quando vais ler isso - se é que vais ler?
O mais foda dos textos é o final, sabe? Eu nunca sei como terminar. Sempre parece que ficou vago, que ficou faltando algo pra ser dito, que ainda é possível dar um significado maior, mais bonito, mais digno... Mas quando penso em tudo o que passou, o que quero é agradecer o fato de ter estado contigo o tempo que estive e seguir adiante, serenamente, silenciosamente - da mesma forma que cheguei. Me envergonho das coisas bestas que eu disse, dos momentos de raiva, fraqueza, de ego... Eu acho que me senti machucado demais. Eu me senti sem chão, na verdade. O que eu sentia por ti era amor demais, demais e demais. Era tanto amor que parecia que seria imortal, e - apesar de não ter sido - foi infinito pra mim.
Só poderia terminar esse texto dizendo que toda a felicidade - e mesmo toda a tristeza, pois é preciso refletir - é pouca pra ti. Tu és um poço de sentimentos e sutilezas, e mereces o universo...
Segunda-feira, Outubro 06, 2008
Meus olhos dormem sobre o teu corpo

Meus olhos dormem
Sobre teu corpo fatigado
De tanto amor.
E que amor é esse
Que sempre desespera?
É que teus olhos cravam
Esperanças ardidas nesse coração
Morto que meu peito vela.
Meus olhos buscam tua boca
Cada vez que falas
Com esse teu ar quente e vagaroso...
Mas de onde vem esse calor
Atroz que me aparafusa no chão?
É que meus olhos dormem
Sobre teu corpo fatigado,
Enquanto teus olhos dormem
Ao frescor da madrugada.
Quinta-feira, Setembro 18, 2008
- Pequenina d'olho azul -
Sábado, Setembro 13, 2008
You shook me

Não se fazem mais putarias como antigamente, sabe? Eu tava em casa, assistindo essas merdas de filmes pôrnos atuais e - pelo amor de meus pentelhos - como essas putas de hoje são plásticas. São umas merdas plásticas e duras. Eu me lembro da época em que eu via os filmes daquela ruivinha que gemia feito uma porca no cio (como era mesmo o nome dela?). Eram maravilhosos, ela chupava uma pica como ninguém.
Acontece que eu acabei ficando entediado, e resolvi dar uma passada na casa da Beth. Peguei o telefone e liguei pra ela:
- Alô, Beth!
- Alô! Quem é?
- É merda do teu pai, caralho. Não tem bina nesse celular?
- Que tu qué?
- Tá fazendo o quê?
- Nada. De bobeira.
- Vou dar uma passada aí, beleza?
- Só chegar.
Desliguei o telefone. Porra de guria burra! Era uma gostosura, torta de boa, mas burra como uma porta. Gostava de ser tratada como uma vagabunda. Isso me atraia - sem falar do ar de inocência da safada.
Meti os fones no ouvido. Passei na frente do espelho, enquanto pegava as chaves. Led Zeppelin... Pingo de mostarda na camisa. Foda-se. -You know you shook me...You shook me all...
Sai de casa, peguei o carro. A Beth morava num hotel, no centro. Ganhava uma pensão gigantesca do pai, General de exército, e vivia como uma dondoca: só passava curtindo festas em sua suíte imunda, fumando maconha e bebendo seus porres diariamente. Sem falar das fodas sujas com quem achava pela frente... mas no fundo, ela me ama, eu sei. Precisava vê-la hoje, faziam três dias que eu não fodia, e tava completamente sem grana. Beth era uma pessoa legal, nunca se recusava em me suprir de dinheiro, sexo e presentes.
Passei antes, entretanto, num boteco - tava sem cigarro - e aproveitei pra comer um xis. Depois de meia hora sentado no balcão daquela merda suja, vem aquele pão engordurado, pingando maionese e gordura do lombo de porco frito naquelas chapas podres. Uma delícia. Pedi uma cerveja. Paguei a conta. R$ 7,50. Um mundo de oportunidades por uma banana.
- Me dá um Malboro e uns chicletes.
Parei na porta da budega, tomei um ar, coloquei os óculos escuros e taquei fogo num cigarro. Fiquei ali uns minutos, só fumando. Joguei a bituca fora e caminhei em direção ao carro, pensando o que comeria na janta, quando uma dor filha da puta me fincou o peito. Fiquei sem ar, me escorei no capô... Passou. Entrei no caro, ainda meio zonzo, girei a chave. Tranqüilo. Tomei a avenida adiante em direção ao hotel (acho que se chamava Hotel Figueiras) e, uns metros depois, senti aquela dor do cacete de novo. Apaguei. Não me lembro, então, de ter acordado. Acho que o carro entrou num poste ou algo assim...
Eu só queria mais um Malboro, sim?!
Segunda-feira, Setembro 08, 2008
- Rascunho -

Quem poderia entender
A sensação de ter
Na boca
Teus seios?
Matéria, pura e simplesmente.
Pêras de louça fria
Que tantos olhos cegaram
E que eu devorei.
E teu pescoço
- Divino caminho de meus beijos -
Tão perfumado?
Quem poderia entender,
Do teu pescoço,
O gosto salgado?
Eu bem sei,
Meu bem:
- Serás inspiração
De uma vida de poesias!
Mas olha bem;
Só há poesia
Se há tristeza:
- E te tenho de sobra!
Domingo, Agosto 10, 2008
- Laurah -
Domingo, Julho 13, 2008
- Umbigo -

Que calor é esse que vem da entranha
Quando eu vejo ela?
Tem tanto cabelo. Que beleza estranha.
Mas é tão bela.
Que vontade é essa, que me treme
O corpo todo?
Dá tanto arrepio. Depois deixa-me
Jogado no lodo.
Ai, que vontade é essa?
Quero-te dançando em minha mão,
Quero encenar essa peça
De amor fingido contigo.
Quero perder-me, perder a razão
Nos teus olhos, teu umbigo...
Quarta-feira, Julho 02, 2008
- Xadrez -

O meu olhar é preto e branco
- Meu coração mais preto
Do que branco -
Meu sorriso é preto e branco.
Eu não sei onde giram as estrelas.
Eu não enxergo brilhos.
Eu já não durmo faz tempos,
Eu tenho nojo de santo.
Eu sou preto e branco.
Preto no Preto,
Preto no Branco.
Branco no Preto
Branco no Branco.
Meu perfil é cinza!
Eu tenho um coração manco.
Terça-feira, Julho 01, 2008
- Depois -

Eu te amo
E te amava
Antes mesmo de te conhecer.
E te amei, depois,
Antes mesmo de te beijar...
E te amei, depois...
Me fazias falta
E fizeste falta
Mesmo quando te beijei,
Mesmo depois que te conheci.
E te senti, depois, distante...
E te senti, depois...
Antes de tudo
- Antes da essência
Do antes -
Antes de mim
- Antes da essência
De mim -
Eu te amei.
Eu, hoje, depois de ti
- Depois de te provar,
Depois de te prover -
Me privo.
E te sinto tão distante
- E te sinto -
Que já quase não me amo.
Que já não me mereço.
Segunda-feira, Junho 02, 2008
- De tanto amar -

Eram seis horas da tarde.
No sol que morria lento,
A praia procurava aconchego
Como quem se esqueceu
De sonhar.
Um toco de cigarro ainda arde
Abandonado no frio vento.
Todo movimento eu nego
- Procuro a lua que não nasceu,
No mar.
Era a noite fresca que se anunciava?
Que tristeza larga e sombria
Era aquela? Via-se de longe
A solidão das ondas e as aves
A voar...
E a escuridão ali e acolá pousava,
O sol, ainda escaldante, morria,
Como um cintilante e nobre monge
Que carregava, seriamente, as chaves
Do lembrar...
Mas no firmamento doce e sutil
Inda não se via a piedosa dama
Com seu sorriso apaixonante
- Por quem que ela sorri? -
A brilhar.
Tudo fora, no final das contas, inútil...
Deitei-me n'areia - o chão como cama -
E o laranja findou-se, vigilante:
Finalmente, eu também morri
De tanto amar...
Terça-feira, Maio 13, 2008
III

Tuas curvas malignas,
A relva de teu ventre
Onírico.
A luz dos teus olhos,
O gemer de teus lábios
Quentes.
A presença inescrupulosa
Das dores de ti em mim
- Unha, dente & Carne...
Tua presença, simples,
E unicamente perfeita,
Adormecida...
As mais voluptosas juras,
Os beijos mais longos,
Tuas pernas.
Tudo de ti em mim;
Qualquer resquício teu
É sacro, mortal, libidinoso
- Teu perfume em meu travesseiro.
Quarta-feira, Abril 02, 2008
- I -

A janela do meu quarto
- Que vê nada, que vê tudo -
Do mais sombrio parto
Vê nascer a noite de veludo.
Ah, janela do meu porto,
Quantos segredos velas?
Quantas visões tu levas
No teu aço frio e morto?
Espias dentro e fora
Do meu pequeno mundo,
E a cada pulsante hora
Me descobres mais fundo.
Sabes o que há em mim
E em todo corpo da rua.
Conheces a pele nua
De minhas amantes, enfim...
Ah, janela do espanto,
Que dirias em tua muda voz
- Tu que viste tanto -
Que dirias a nós?
Mas a janela rendada
- Como boa confidente -
Se faz de pura e inocente:
Fica dura e bem calada...
Ah, janela do meu ser
- Que vê nada, que vê nada -
Com tua visão gelada,
Me ensina o que é viver?
Sábado, Março 29, 2008
Cigarras

Antigamente, o mundo era mais fácil. Não sei se a verdade era simplesmente essa, ou se vemos a vida sob um prisma mais colorido quando somos crianças, mas o mundo era mais fácil, mais simples. Até mesmo as minhas memórias eram mais claras: eu não esquecia de nada importante, e não lembrava de nada que não fosse necessário lembrar. Hoje, pouco me resta. Somente as imagens mais marcantes me voltam à mente.
Lembro-me de minha casa, naquela rua cheia de nuvens e cheia de vida, onde o homem do algodão-doce passava pontualmente às dez horas da manhã de todo o dia. Naquela época eu acordava cedo. Tinha um mundo ao redor que me encantava. Dormir seria um desperdício inconcebível, inimaginável, intangível. Dificilmente meus pais tinham dinheiro sobrando para que eu podesse comer algodão-doce mas, algumas vezes, minha avó me dava alguns trocados. Ninharias que sobravam de sua aposentadoria parca - e que hoje percebo o quanto era suada.
Tinhamos um pátio grande nos fundos de casa, de forma que era lá que eu passava a maior parte do tempo. Sempre tive amigos, mas meu passatempo predileto era brincar sozinho, escondido com meus bonecos, entre as goiabeiras e laranjeiras, entre as formigas e cigarras do jardim. Nunca tive nojo: os sapos e tatuzinhos eram minha diversão predileta... A vida era fácil...
As coisas mudaram um pouco de figura depois de algum tempo. Aos dez anos - segundo meu pai - eu já era um homem, e precisava entender o valor das coisas, as desgraças do mundo. A situação só se agravou com a morte de minha mãe e de minha avó - uma morta pelo câncer e outra pelo desgosto. Meu pai resolveu que teria de vender "esta casa que nos machuca com suas memórias inúteis". Resolveu que teria de se mudar em busca de emprego, e resolveu que eu era um peso mais morto que minha mãe. Conclusão: fui atirado em um colégio interno, do qual só fui sair depois de muitos anos.
Hoje tudo é muito diferente. Sempre fui sereno demais para odiar alguém - como meu pai, por exemplo. Sempre fui muito sereno para querer buscar algum sentido oculto no final das coisas. Hoje, se me olho no espelho, enxergo meu pai e nego minha mãe. Nego minha infância. O mundo perdeu a cor. Eu olho para as pessoas e só vejo esquilos que nunca cessam a busca por nozes para o estoque do inverno onipresente que nos cerca. E o problema é que - mesmo depois de todo o trabalho que temos, organizando tudo - morremos sem poder gozar de nada. Morremos sem sentir o sabor das nozes que nós mesmos catamos. E depois, Puff. Acaba. E não me venha com essa de deus e paraíso. Eu já tentei, mas simplesmente não posso me obrigar a ter fé. E, por isso, o mundo se torna um lugar cinza, débil e insignificante.
Cá estou agora, dentro de um apartamento mais imundo do que a minha cabeça, bebendo mais do que respirando. Passando os dias em um estado de dormência mais profunda que a morte. E mesmo assim, nada se resolve. Então eu canto. A formiga, afinal de contas, só trabalha por não saber cantar.
Ah, e se o mundo fosse feito só de insetos, só de cigarras, voltaria a ser colorido? Não. Ridiculamente, algo ainda nos encomodaria. Nós somos o nosso maior problema...
Quarta-feira, Março 26, 2008
Mañana Estupenda

Yo he mirado
Tu sangre roja
España
En la piel del toro.
Y en la adaga
De los ojos dulces
Y verdes
De la pelirroja
Gitana
Yo canté:
-La sangre de la España
Es la sangre del toro
Que en el cielo cambia a oro
E baña
Su pueblo
Con fuego.
- España, amada mia,
Te quiero!
Vuelve!
Besame!
Devorame!
Pero ahora
- Mañana estupenda -
No hay cariño,
No hay ternura:
La pelirroja
España
Ha murrido.
Quinta-feira, Março 13, 2008
Pele nua

Nas tardes de outono
Que chorava a cotovia,
Tua pele ardia
Como soluço de sono.
Tua pele nua
É lágrima que se bebe?
É densa e crua
Clara de neve?
Inda te sinto em mim:
Teus dedos em meus dedos,
Teus cabelos sem fim
E teus milhões de medos.
Aquele teu jeito manso
Que me roubava o ar.
Teu jeito de amar
Do qual não me canso.
Teus seios amargos,
Tua cintura pagã.
Teus sorrisos largos
E tua valsa vã.
-
E nas tardes de verão
- Onipresente estação -
De cigarras escaldantes
E chuvas constantes,
Te bendigo:
Na luz dos brilhos
De teus olhos vivos
Eu vingo.
Em ti cresci homem,
E em ti morrerei.
Teus seios me escondem
De tudo o que pequei.
Teu perfume é minha crença,
Pois de tudo me salva:
É cheiro de camélia densa
E toques de sálvia.
É lágrima que se bebe,
Tua pele nua?
Em que rua
Ela se perde?
-
Nas noites de inverno
- Onipotente frio -
Voavam mariposas do inferno
Nas margens dum rio.
Eu as via sob a lua
Clara de leite e neve
- Tua pele nua
É lágrima que se bebe? -
E lembrava-te...
E lembrava-me...
E me lavava
N'água do rio que levava
Toda a angústia podre
Do abandono,
E todo engano
De quem jovem morre.
-
Agora é tarde
- Primavera primeira -
Meu fogo já não arde:
A vida é uma besteira.
Tua pele nua,
Tua pele clara:
Se bebe dessa rara
Gota de pluma?
E aquele teu jeito manso
Que me roubava o ar?
Penso e me canso:
Deixou de me amar.
Eras clareira e aurora,
Eras luz de sol e lua.
Me diz quem cura, agora,
A falta de tua pele nua?
Agora é tarde
- Primavera morta -
Meu fogo já não arde:
A vida anda torta...
Segunda-feira, Março 03, 2008
Braços Gauches

Tudo ainda é lindo aqui:
As ruas molhadas,
Cheias de flores lilás
E árvores.
A Andradas ainda borbulha,
De vida e poesia,
E Quintana e Drummond
Inda dormem na praça.
As gurias
Estão cada vez mais lindas,
Mais primaveris
- Febris - lascívas.
Ainda há o bom tabaco
E o vinho que aquece
No inverno.
A Lima e Silva...
E as gurias da Lima e Silva,
Com suas golas altas
E sorrisos perfeitos.
Ah, que pernas...
E a Redenção
E o Gasômetro? Vivos,
Eles te esperam
Nostálgicos.
E teus convivas,
Bêbados de amor e néctar,
Sempre te citam
Nas orgias e nos bares:
"- Felipe,
Hermano mio,
Poeta mio,
Quando matarás nossa sede?
Nossos braços gauches
Inda estão abertos
- E sempre o estarão -
E pulsantes.
Volta, che,
Que esta cidade te respira,
Te busca,
Te ama."
Volta, que o jasmim
Já floresce e cheira
Na Cidade Baixa
E na Bela Vista
E no Alto da Bronze...
As ruas continuam úmidas
Das gotas
Mais sinceras:
As lágrimas dos que te saudam.
Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008
(Parêntesis) Urbano: delírios finais.

Estranho, Fernanda, é eu sentir frio nesse momento - como quando estava longe de ti - sendo que posso te ver. Poucos metros nos separam. E que imagem! Te vejo, mesmo com todo esse frio, linda como nunca te vi antes. Esta tua beleza nunca te deixou, não é mesmo? Sempre esteve contigo, nas horas boas, nas horas ruins... Diferente de mim, humanamente confuso e te magoando sempre. Lembras das cartas que combinamos de trocar no dia dos namorados, três anos atrás? É, aquela que eu nunca te dei, que eu não soube escrever, lembras? Pois a estou escrevendo agora. Nas condições atuais, entretanto, não sei se a lerás. Escrevo-te, mesmo assim.
Havia tanto que eu queria te dizer antes de tudo. Não pude. Me faltou coragem, me faltou sensibilidade. E agora eu já nem me lembro mais o que queria dizer. Odeio quando isso acontece. Temos tanto a contar, mas - quando chega a hora - esquecemos, como se alguém roubasse nossas idéias. De fato, nesta situação medíocre em que me encontro, pensar é algo bastante difícil. Tentarei ser claro, mas me perdoe as possíveis alucinações: já não sei o que é fato e o que é sonho.
O ano era 2006, e era inverno. Não um friozinho qualquer: os termômetros marcavam temperaturas negativas, as pessoas nas ruas mal conseguiam andar direito (e pareciam mais distantes do que o normal) e os cafés do centro da cidade lucravam absurdamente. Eu era viciado em café, lembras? Era sagrado para mim: todo sábado eu saia de casa para andar pelo centro e beber um pretinho com uísque.
E eu ficava lendo. Os finais de semana sempre foram a minha fuga, os únicos momentos que eu guardava para mim, os únicos momentos em que eu podia ler alguma coisa. Na época eu estava lendo algo do Kerouac, eu acho... Que seja, isso não é importante agora. Não vou levar Kerouac comigo.
Naquele dia, contudo, abri a mochila e percebi que havia esquecido do livro. Que fazer? O café não tinha o mesmo gosto sem a leitura, mas não deixei que aquilo estragasse meu dia: passei a observar as pessoas. Havia tanto a ser notado: um gordo careca e com um ar triste que tomava uma taça de vinho; um casal que discutia baixinho; uma mulher tremendamente feia que escrevia em um bloquinho; a moça do caixa mascando chiclete; tu com um cachecol roxo, entrando no estabelecimento, um Neruda em mãos. Nunca vou esquecer.
Entretanto, já não tenho mais forças. Esta carta - que nunca lerás - vou deixar pela metade, como as meias palavras que sempre te tive, depois de covardemente te fazer me amar. Junto com o sangue, escorre desse buraco de bala a minha consciência, roubada por um jovem delinquente, um viciado em crack que me matou por um relógio e um celular.
O mais engraçado, Fernanda, é que não precisava pular na frente do disparo para te salvar. Não mesmo... Eu só precisava te dizer tudo o que sempre quis - que era o mesmo que querias ouvir - mas nunca consegui. Então eu te salvaria. Ainda vives, mas morrerás a cada dia, eu sei, por nunca teres lido esta carta... Por nunca ter te aberto meu coração.
Vou-me, mas sem paz.
Sábado, Fevereiro 23, 2008
As musas d'além
Não sei qual foi a última
A roubar minh'alma,
Pedaço por pedaço,
Levando-me em cacos,
Dentro de uma caixa vermelha
pulsante.
Pois todas dançavam
Em ritmos celestes,
Dentre a vida e a morte
Dos apaixonados,
Dos poetas,
Dos anjos.
E mesmo agora,
Que meus olhos curtos
Não são mais teu palco,
Ainda enceno
- Tristemente -
Meu monólogo:
- O amor é ridículo
No final das contas.
Toma-me tanto,
Mata-me tanto
- Bem aos poucos -
De tanto encanto.
Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008
Oração

Eu observo o mundo
E o odeio
E o amo.
De joelhos,
Rogo pelo imundos,
Pelos desajustados,
Os loucos,
Os pobres.
Rogo pelas mulheres.
Eu rogo
Por todos sem alma,
E pela tristeza sóbria
E pela alma demais
Dos gênios.
Eu rogo
Pelos rostos dos feios
E pela beleza demais
Do galã.
Que cada um tenha
- deus que não creio -
Aquilo que reservastes.
E, no fundo,
Em todas as grandes composições,
Enormes notas de piedade
Ressoando.
Soando.
Ressoando.
Soando.
Ressoando.
Como um apito de fábrica,
Rogo também
Pelos que trabalham
Duro.
Rogo pelos sem pão.
Rogo pelos sem amor.
Rogo pelos amados demais
- Como o amor demais.
Tende piedade de todas
As criaturas inquietantemente
extremas,
No positivo.
No negativo.
E tende piedade de mim, que sou todos
E nenhum.
Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008
Homenagem ao samba e ao amor.

Acordo, mais uma vez,
Com os raios de sol que teimam
Em invadir a minha cortina.
Reviro-me na cama. Me afago em teu perfume - e quase que me esqueço
De onde estamos.
"Eu faço samba e amor a noite inteira, e tenho muito sono de manhã..."
- mas em subto, as fábricas começam
A buzinar.
O trânsito corroe nossa cama,
Reclamando do nosso eterno espreguiçar.
Escuto a correria da cidade! Que lixo!
Por que demoram tanto para amanhecer?
Não sei se preguiçoso,
Ou se covarde,
Eu faço samba e amor até mais tarde,
Seja no corpo da amada, seja no corpo do violão.
Essa é a vida que eu quis pra mim,
Embalado,
Embalsamado pela noite...
Embalado na amada e no violão...
Domingo, Fevereiro 10, 2008
Shine on you crazy diamond

Aquela era uma tarde fria, como há muito não se via. A grande cidade de Elên-Siriar, entretanto, não estava com o ar apático do inverno. Pelo contrário, mostravam-se vigorosos e felizes, como se algo os motivasse. Talvez fosse a lua cheia, talvez o nascimento do filho de pai Gerebê, não sei dizer ao certo. Lembro-me, entretanto, que algo realmente estava diferente naquele inverno, de modo que na noite do quarto ciclo da segunda esfera do ano de 1612 da segunda era – a era dos homens – uma grande festa se desenrolava nos salões reais. Tandriellae, filha do imperador Elendroer VII, completava seus 160 – a maioridade para estes que vos narro, os elfos das runas.
Nesta ocasião, o elfo que está completando a maioridade recebe um cajado místico, um item mágico poderoso e simbólico para a raça. Dois hambúrgueres, tomate, queijo, molho especial, cebola, picles e um pão com gergelim! GERGILIM! Quero ver essa vudega pegar fogo! Rebola, das minha! Rebola! Tragam nos vinho, gritou o anão, com uma imponência gigantesca.
Obviamente, o Homem-Peixe não ficou parado. Sacando um saca-rolhas, tiniu as espadas em vermelho escarlate marfim negro e fusco. Havia um certo frescor no olhar do latino. Uma escada vermelha? Não pode ser! Maria jogou-se do Jipe, um olhar selvagem a lhe cobrir o rosto! Roseta, a rosa de hiroshima!!! A francesa morreu em viagem ao Japão. Logo Hiroshima? E quanto aos lábios de Morgana? Ficariam apagados pra sempre, na imensidão de um sabre de luz. Galinhas não eram boas guias, no final das contas. Mas que se dane. No final das focas, estava a trilha para os trolls!
E, no final, que fosse tudo o que nunca seria. Fosse vento, madrugada, giz de cera ou empregada caindo em saltos atléticos pelo mundo plástico e imóvel.
Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008
(Parêntesis) Urbano: um momento em uma vida.

Eu gosto da idéia de "Suejeira Urbana". É contraditório à existência humana normal, eu sei, mas eu gosto. Todas aquelas pessoas comendo Fast-foods, as multidões suadas e expremidas nos trens e ônibus, os vapores da cidade, os barulhos, os tiroteios, as pichações e os grafites... Tudo isso - e todos outros petiscos urbanos - me agradam profundamente. Os becos, o lixo esparramado nas calçadas, as matilhas de cães vadios, os mendigos e os drogados só completam o cenário. Me sinto em casa nestas condições.
Inclusive, acho que aí existe um preconceito: sempre que alguém pensa na imagem de uma metrópole imunda, marginalizada, cheia de putas horrendas e jovens bêbados, lhe vem à cabeça uma cidade Estado-unidense. Bobagem. Meu país - e creio eu que sirva para todos os paises do mundo - tem uma pá cheia dessas maravilhas da civilização. Só muda o nome do trafica que comanda a boca, porque os vicíados são sempre os mesmos. Ninguém lhes destingue: são uns caras pálidos, cheios de marcas de violência e ódio nos olhos; "aqueles marginais", como diriam os bons pais de família... Malditos marginais... Todos prontos pra matar ou morrer pelo próximo pico...
Bom, exposto o cenário caótico de minhas andanças boêmias, deixe eu dizer: têm muita gente boa por aí também. Ontem mesmo, dei de cara com uma puta. Arrumadinha até, mas não tinha mais de treze anos:
- Oi, gostoso! Uma chupadinha por cinco pila?
Olhei em volta. achei engraçado... Essas gurias parecem camelôs, daqueles chatos que gritam no centro das cidades "Oh, é cinco pilha um real!".
- Tens quantos anos? - Perguntei, caminhando na direção dela.
- Vinte - Ela respondeu de maneira idiota, como se soubesse que eu queria acreditar.
- Cinco pila?
- É... Rola ou não? Se não quiser fala logo, tem mais caras passando por aí, sabe?
- Tá beleza, guria. Só vamo rápido que eu tenho mais o que fazer.
Foi ali mesmo a perfeita cena de pedofilia. Quem se importa? São umas putinhas que não fazem falta pra ninguém. Chupam pau por cinco pila, dão a bunda por pó... Quem vai sentir falta de um tipo de vadia que existe aos montes por aí? O mais bonito é ver os carros passando e te olhando enquanto tomas a chupada. São os eternos telespectadores do ilícito, enquanto transitam em seus carrões do ano pelas avenidas da cidade.
A noite já corria alta. Acho que era madrugada, nem me lembro. Acabei chegando na casa da minha amiga de faculdade, que tava fazendo uma reuniãozinha com o pessoal do curso de música. A parada com a putinha me atrasou só vinte minutos, nada demais. Eu tava há tempos sem foder. Na verdade, desde que aquela baranga da Amélia me deixou - faz uns dois meses - que eu não via uma bunda pelada ao vivo. Não sei se foi pelo soco psicológico que eu tomei - e como todo músico egocêntrico, não admiti - ou se foi pela falta de grana mesmo, só sei que acabei me resguardando em casa por um tempo.
Passei por um período bem lixão: gastava meus dias em casa, fumando maconha e torrando o dinheiro que o coroa me mandava. Acho isso o máximo, ainda mais no período de férias da facul. Não curto as outras drogas. Minha loucura mesmo é o baseado: barato, fácil de comprar, fácil de usar, dá uma viagem controlada. Sem falar que é um ótimo agente social: nada como um joint na roda pra deixar a galera mais... integrada.
Buena, agora era lá que estavamos: Nana, Deca, Ju, mais umas três gurias com nomes fáceis que não me lembro nem da cara... Eu era - incrivelmente - o único homem ali. O que rolou depois foi meio confuso. Acho que alguém tocou no assunto suruba, bissexualismo, zoofilia ou algo do gênero... Que seja. Sei que quando percebi eu tava comendo a tal de Deca. Ela ali, de quatro no chão da sala, e eu atrás, atuando maquinalmente. As outras estavam meio que rolando pelo chão, trepando como era possível. Muita droga na cabeça, cara. Daqui há pouco, sei que já tinha trocado de guria. Alguma delas estava sentada na minha cara, e outra cavalgando em mim. Não sei também quanto tempo se passou, só sei que a porta se abriu: era a Amélia.
A musiquinha aquela falava "Amélia é que era mulher de verdade..." e, realmente, era. Amélia foi uma guria como eu nunca conheci igual. Fato: ela se deparou com uma cena de depravação bem forte, e nessa cena constavam o cara que ela ainda amava e umas das amigas dela - as mesmas que a apoiaram quando nós nos separamos. Bem, ela saiu da sala, e eu nem tive tempo de correr atrás, no estado (deplorável) em que me encontrava. O que me restou foi desmaiar no chão. Acordei no outro dia, já em casa, com o telefone tocando:
- Alô...
- Cara, tu tá em casa?
- Que pergunta idiota! Tu ligas pro meu telefone residêncial e ainda me perguntas se eu tô em casa. Que tu queres, Marco?
Ele fez silêncio. Notei alguém que estava junto com ele e falava-lhe palavras de incentivo.
- Cara - ele disse calmamente - A Melinha se suicidou. Pulou da janela do apartamento dela... O enterro vai ser...
Deixei cair o telefone. Parei por uns três segundos, olhando para o vazio da TV chuviscante. Levantei lentamente, coçando o saco. Coloquei o telefone no gancho, ainda ouvindo do outro lado o Marco "- Alô, alô?". Fui no banheiro, mijei como um cavalo. Na passada, peguei a seda e a erva, e fechei um beck. Sentei na cadeira da sala, e fumei aquele cigarrinho como se estivesse tragando todos os meus problemas para um buraco negro de onde nunca mais sairiam. Refleti.
Agora preciso achar uma roupa pra ir no enterro...
Sexta-feira, Janeiro 25, 2008
À amante

Em ti tudo amo e tudo quero,
Como um sonho pequeno
Que por fora é sincero,
Mas por dentro é veneno.
Amo teu sorriso, lascívo
Quando me mordes.
Teu perfume nocívo,
Tuas pernas fortes.
Tuas unhas arranhando,
Teu seios livres
Em frênesi balançando.
Teu gosto, tuas crises.
Ah, teu gosto, acima de tudo.
Como me embriaga,
Como me deixa mudo
No calor que me afaga.
Teu corpo, é uma batalha!
Num clamor de sorte,
Mas sem lâmina, sem navalha,
Me deixas à morte.
Muito esgotado
- O esgotamento real
E perfeito do coito passado -
Para chorar, no final.
Um choro sem rimas e avisos.
Quarta-feira, Janeiro 23, 2008
Esquecida
A música que enchia a sala era um jazz lento, um groovie melancólico, daqueles que só se satisfazem quando acompanhados por álcool e tabaco. A luz era fraca, e as grandes portas de vidro que davam passagem para o pátio da piscina estavam abertas. Estava quente. Sobretudo, essa era a cena. Um pouco mais adiante, sentado no pequeno muro do jardim, próximo à piscina, estava o cara.
Suas vestes resumiam-se à umas cuecas boxer, igual aquelas que os caras malvados ou gostosões dos filmes usam. Ele tinha uma tatuagem tribal que tomava todo o braço direito, vários brincos na orelha esquerda. Os cabelos eram completamente desgrenhados, e a barba por fazer. O cheiro... o cheiro do pátio era estranho: um misto de suor, jasmim e bagulho. Ele, completamente compenetrado, escrevia em um pequeno bloco de folhas pautadas. Era canhoto, além de tudo.
Repentinamente, ela invadiu o pátio. Vestia uma camisa social azul e calcinhas. Nada além. Incrível... Agora penso: como são sexys estas mulheres que roubam as camisas dos alguns que enlaçam em suas camas e desfilam pela casa, acima de tudo, ousadamente, com um ar sacana, poderoso e relaxado. Até parece que nada no mundo pode atingi-las.
Invadiu e, em meio à camisa e calcinha e cabelo preso em coque, caminhou na direção dele, passando a mão na nuca. Sentou-se na grama, frente a ele, olhando-o . Segundos depois, tirou um cigarro de filtro vermelho do bolso da camisa. Ambos em silêncio. Acendeu o cigarro...
- Hey, gato... tá fazendo quê?
Ele parou, por um instante, sacudindo a caneta bic por entre os dedos...
- Uma idéia que me bateu... - Disse baixo, como se falasse sozinho.
- Hun... - Ela tragou o cigarro - E eu posso ver?
- Acho melhor não...
Ela sorriu de uma forma debochada e desafiadora:
- Ah, então eu vô te enchê de cosquinhas!
E caíram ambos na grama, em meio à risos e brincadeiras que, segundos depois, silenciaram e viraram um olhar profundo, seguido de um beijo cheio de significado.
Enquanto se perdiam um no outro, jazia há alguns metros um bloquinho de papel, com rabiscos de sentimento e uma poesia que nunca seria lida:
No vazio do teu corpo,
Onde componho canções mudas
E poemas simples,
Eu me perdi.
O tempo não existia
Nestes segundos imortais.
Fomos um
Em um milênio,
Fomos todos
Em poucas vidas.
Agora, já não somos
Nada.
E o mistério
- O grande e quente
Mistério -
Continua sendo
O vazio do teu corpo...
Onde escrevo cartas cegas...
Terça-feira, Janeiro 22, 2008
Em ondas

Tu tens um ar tão sereno
E um silêncio suave
Que são só teus.
Guardas ainda
Os olhos brilhantes
Que riam embaixo da chuva
Por todas as idas e vindas tuas,
Toda a essência leve que
Trazes junto a ti.
Me lembras
- docemente vago -
Ondas de um mar gelado:
Vai, vem, vai, vem, vai, vem, vai...
Voa, vem, vai, volta, vem...
Vem... foi... foi... foi...
Fostes - voando raso e triste -
Como este poema:
Toda torta, seguindo em ondas,
Seguindo em caos.
Segunda-feira, Janeiro 21, 2008
Belo dia

Antes, teus gemidos
Abafados em meus braços.
Hoje, nós perdidos,
Sem enlaces nem laços.
Antes, meus sussurros,
Afogados em teu pescoço.
Hoje, só restam os urros
Da dor do pouco esforço.
Antes, teu lábio no meu,
Em tardes dormentes.
Hoje, a boca se perdeu:
Sequer tenho os dentes...
Antes, nunca te deixaria.
Havia magia no amor.
Hoje - quem imaginaria? -
Só resta algum pavor.
Nestas tardes que abandonei
- Tardes de minha vida -
Muitas vezes te busquei,
Mas - surpresa - querida,
Eu nunca mais te encontrei...
Hoje, não há poesia,
Há loucura e solidão.
Domingo, Janeiro 20, 2008
Fuga...

Meus olhos cansados,
Meus braços desatentos,
Meus pés amarrados
E meus silêncios lentos
Te amavam.
Meu sorriso gasto,
Minhas mãos tortas,
Meu peito farto
E minhas peles mortas
Te amavam.
Meus desencontros,
Meus venenos,
Meus dedos rotos
E serenos
Te amavam.
E agora?
Que resta?
Que é da nossa hora,
Que é da nossa festa?
Dormem?
Que se fez da tua face
Que tanto me alegrava?
E essa cicatriz que nasce,
Tua máscara tapava?
Te escondes?
Já não te vejo
- e nem te quero -
Já não te almejo
- e nem te espero -
Eu fujo
Para um lugar melhor,
Onde ninguém me julga.
Um lugar menor,
De onde não haja fuga.
Um lugar em mim mesmo,
Longe de ti...
Quarta-feira, Janeiro 09, 2008
Não sei nem chorar

- Ontem descobri que vou morrer. Engraçado, não? Me revirei a noite toda pensando nisso. Acho que ninguém nunca pensa que vai morrer. Quero dizer, pensar mesmo, profundamente, e sentir-se triste por isso. A morte. Que piada sem graça que ela é. Brusca.
E tragou o baseado, depois de um longo gole de cerveja. A mulher que o acompanhava, olhava o céu noturno, claramente pensando em qualquer outra coisa.
Ele continuou: - Como será? Será que vou estar cuspindo sangue embaixo de um caminhão, enquanto balbucio que sou jovem demais pra morrer? Será que vou estar dormindo quando ela chegar, tão serena quanto o beijo de quem mais amei? Serei velho?
Ela olhou para o lado oposto do qual ele se encontrava, deu um meio sorriso. Voltou-se para ele, tirou-lhe o baseado das mãos. Tragou e expeliu duas vezes consecutivas, tossindo na segunda. Largou o baseado no cinzeiro.
Eles se olharam por longos segundos, em silêncio. Ele não entendeu.
Ela falou: - Cara, eu tô grávida.
O rosto dele se encheu de um sorriso mais inexplicável, então, que a morte.
Sexta-feira, Janeiro 04, 2008
Bile
Meu estômago se revoltou. Ver todo o vômito dela em cima do sofá era como um soco no meu rim, levando em conta o estado em que eu me encontrava. Nojenta! O que será que eu preciso fazer pra fuder um pouco?
- Hey, guria, cê tá bem?
- Eu tô ótiba!
- Cê tá "ótiba", é? Olha a merda que tu fez! Essa porra de mancha de vinho não vai sair nunca do sofá. Cê vai ter que me pagar...
- Não, tudo bem, eu falo com meu pai, ele te paga um sofá novo e...
Meu estômago se revoltou mais uma vez. Maldita burguesinha de merda! Dei-lhe um puta tapa na cara.
- Acho que tu não entendeu muito bem - e abri o ziper.
Ela levou a mão ao rosto, e olhou, apavorada, para o meu pau e para o rosto, pau e rosto, pau e rosto,
pau e rosto...
Uma lágrima rolou de seu olho esquerdo.
O estupro durou vinte e poucos minutos. Eu gozei três vezes. Ela, nunca mais gozou.
Quinta-feira, Dezembro 27, 2007
Às traças
Sábado, Outubro 27, 2007
Das lembranças IV
Sexta-feira, Outubro 19, 2007
Chalalá!
Vou viajar, e tenho duas coisas pra dizer:
O verão é lindo.
Vivaldi é um filho da puta.
Hasta!
Terça-feira, Outubro 09, 2007
Sono

Esses braços cruzados
E olhar de soslaio:
Descaso.
Cansaço.
Descanço.
E sob a sombra da árvore,
Uma esperança vem
Na forma disforme
De um sonho.
Sonhei.
E nesse outro mundo
Estava contigo.
Eramos mais jovens
E menos preocupados.
Quer dizer, ainda sou jovem,
Mas nos sonhos a juventude
É diferente.
Reluz.
Reviva.
Seduz.
Cativa.
E nesse outro mundo
- Ah, meus sonhos -
Tão real,
Estar contigo era lindo.
Não, não nos beijamos.
Sequer te toquei.
Porém, só de olhar-te
Eu sorria. E sabia eu:
Teus olhos me acariciavam.
No final de tudo
Nada foi belo.
Quem inventou o final feliz?
Eu acordei,
E tudo que pude abraçar
Foram as cobertas
Desalinhadas...
Terça-feira, Setembro 25, 2007
Poemeto

Essa lama toda
Na qual me afundo.
Essa merda louca,
Esse fim de mundo
Merece uma canção:
Ah, devaneio maior
Desta solução fúnebre
Cantai:
Ora morro de rir
Ora sofro demais.
Morrer ou matar-me?
Triste é pensar que ainda sou o mesmo,
Apesar de tantas mudanças.
Sofrimento, nunca dormes?
Deixa meu lombo
Já ardido
E volte só
No fim de meus dias.
Quinta-feira, Setembro 13, 2007
Sinuosa
Domingo, Setembro 09, 2007
Fuma um chá!
Quinta-feira, Setembro 06, 2007
vida

Chove.
Cotidiano.
Sem rumo.
Sem perpectivas.
Claramente desolado.
Claramente louco.
Tão loucamente
Cansado...
Sentimentos?
Eles vem e vão...
E nesse vem-e-vai
Do fim do mês que vêm
Eu espero
Pelo salário.
Por um tango
Que traga tragédia.
Sentimentos?
Eles são como ondas.
E todo esse sentimentalismo
Cresce e decresce.
No fim, nada
Que seja realmente especial.
Era só imaginação - outra onda -
De que teriamos um destino diferente
A vida?
Ela é como uma onda
Que, de tão grande que era, engoliu-se...
Virou nada.
Terça-feira, Setembro 04, 2007
Soneto à amante

Teu corpo é esguio e reluzente,
Fluido, transbordante.
E teus olhos, de repente,
São cor do mar espumante.
Lembro de ti cada detalhe:
Teu cheiro de mulher madura,
O contorno do suave entalhe
Da tua perfeita cintura.
E ainda, teu sorriso
- Teu sorriso acima de tudo -
Pelo qual me iriso.
Quando desabrocha com leveza
a flor da tua boca, fico mudo:
Como no mundo há tanta beleza?
Eduardo Schmitt Stigger.
Quinta-feira, Agosto 30, 2007
Construção
[-]Tópico contínuo: a vida deve mesmo ser observada através de um prisma de positivismo e boa-vontade. São tantas ironias, peças, truques...
Ironias, principalmente.
[-]
João Santos Jr.
Tipicamente brasileiro.
Tipicamente caminhoneiro.
Tipicamente fodido.
Motorista experiente, pedestre desatento.
Ganhando setecentos reais por mês, acabou morrendo atropelado
por um ônibus - o arquinimigo cruel e antitésico do caminhão - no natal de 2006,
quando, em uma folga, voltou à cidade e comprava os presentes das filhas de seis e dez anos.
Os pacotes e o corpo, todos estatelados pelos muitos cantos da rua, por horas e horas (era natal, afinal...).
[-]
Mas o enterro foi bom, no final das contas. Pelo menos a amante não apareceu por lá, com os seus três bastardinhos, para o escândalo final... Le grand final...
Quarta-feira, Agosto 29, 2007
Amo tanto, e de tanto amar...
[-]
É estranho, sobretudo. Os dias tem sido tão lentos e prósperos, e eu estou tão aflito e vazio. É realmente a antítese de ser quem sou, de ser humano, no final. Acho que estou pronto para o amor, sabe?
Não que não estivesse antes. Todos nascemos prontos pro amor, afinal. É que a vida nos dá tantos tapas que já nos preparamos para o próximo golpe, e fechamos a guarda mesmo que ele não exista.
Ele vai existir, isso eu sei, mas acabei descobrindo que a grande sacada é aguentar a queda, e vê-la como um aprendizado. Eu aprendi tanto com todas as merdas que já fiz, com todas as merdas que já me fizeram, com os chutes que dei e tomei.
[-]
Companheirismo e um sorriso, é isso que procuro. Nada é insuportável quando se ama.
Eu quero amar, mas isso é tão difícil...
[-]
Estou levemente perdido, e leve no ar.
Segunda-feira, Agosto 27, 2007
O careca

O bar era escuro, com poucas mesas redondas largadas pelo ambiente. Acho que o cheiro de cravo e canela e fumaça de cigarro me persegue: o lugar estava cheio dele. Poucas pessoas, entretanto. As poucas almas que decidiram sair de casa naquela noite de sexta-feira chuvosa encontravam-se com as suas próprias companhias, sem integração externa alguma, perdidas em suas próprias conversas.
Alguém disse que perder-se em si mesmo é encontrar-se, mas não estou muito certo disso. Qualquer um para quem eu olhe parece chateado, cabisbaixo. Isso inclui a minha acompanhante. Então?
Então Tequila e Tequila.
Tequila e Tequila.
Tequila e Tequila.
Eu e ela.
Eu e ela.
Tequila e Tequila.
Conversas cada vez mais fluidas...
Quando percebo, estamos só os dois dançando "Oh, Darling!", abraçados, donos da pista.
Lindo! Parece que o globo de espelhos relfete só para nós, como se mais ninguém conseguisse ver todo o brilho que corta o chão.
Estranho, estou dançando há tanto tempo e nem estou cansado...
Estranho, como estou conseguindo me ver, assim, de longe, como se nossa dança fosse um filme na Tv?
Que coisa, eu nunca tinha reparado que era negro e careca, e nem me lembro de ter saido com esse roupa.
Quando eu me livrar dessa tequila, vou descobrir que bebi demais - como em uma esperança etílica - e que a dança da noite não foi minha.
Quem roubou a minha chance foi o careca ou eu mesmo?
Quinta-feira, Agosto 23, 2007
Bourée in Mi Mineur
Segunda-feira, Agosto 20, 2007
Hare-Krishna

[-]
Acho que foi algum psicólogo destes importantes - nossa, quanto descaso - que falou sobre os cinco sentimentos humanos:
Acho que foi algum psicólogo destes importantes - nossa, quanto descaso - que falou sobre os cinco sentimentos humanos:
Raiva.
Ódio.
Arrependimento.
Amor.
Medo.
Arrependimento.
Amor.
Medo.
Eu acrescentaria um quinto sentimento:
Vazio.
[-]
Na verdade, é engraçado perceber que felicidade e tristeza não entram nesse grupo dos cinco sentimentos basicamente humanos. Talvez por serem efêmeros em essencia. Talvez por serem constantes em razão. Não sei.
Mas é estranhíssimo mesmo pensar que passamos a vida buscando por algo que nem sabemos o que é...
Ou pensar que só vivemos para isso.
[-]
Ponto filosófico: a tristeza é a felicidade de alguns. Conheço gente que só produz - e falamos de qualidade, não quantidade - quando está triste. Sou amigo de pessoas que fazem questão de encher a boca para dizer "Sou uma 'criatura' das trevas".
Bobagem!
[-]
Que seja: busquem suas verdades, baseados em suas próprias luzes, como diria Ghandi. Opiniões que divergem são a beleza de ser humano.
[-]
Auto-piedade, entretanto, é patético.
Quarta-feira, Agosto 15, 2007
O fauno
Eu sou o inesperadoE o sonho
E o inesperado que sonha.
Eu sou o fauno
Que dança
Torno ao fogo
Dos amores.
E toda a fantasia
E a realidade
E a fantasia real
E a realidade fantástica
Neste mundo.
E nada possuo,
Pois sou também
Pois sou também
Aquilo que não pode ser preso,
Pois morre.
Eu sou o vento,
E o Fauno que dança
Em meia-tempestade.
E eu sou a água,
E o Fauno que dança
Nos lagos límpidos
Das mentes insanas.
Eu sou a terra,
E o firmamento...
Eu sou o Fauno
Que ali descança...
Eu sou aquele
Que segura
Nos dentes
A primavera.
Domingo, Agosto 12, 2007
Telhados de paris

[-]
Não sei: senti uma vontade absurda de te dar colo.
E lembrei de ti, e das pintinhas - sim, elas são lindas - e das espáduas e das pernas.
Cada traço do teu corpo tão delicado e feminino, o teu sorrio incomparável, a tua voz mais do que linda.
[-]
No final das contas o amor é mesmo isso - por mais efêmero que seja: sentir-se bem ao lado de alguém, e ser capaz de sorrir somente por entender a perfeição de um momento, seja de silêncio ou não.
Querer o bem, querer aninhar, aconchegar, mimar alguém que talvez nunca te perceba...
[-]
E no final, talvez por pena da amada, sempre coloco a culpa em mim mesmo. Será a barriga o problema?
Feiura (?!?!?!) arruma-se, a essencia não.
Quando alguém vai ver isso novamente?
Quarta-feira, Agosto 08, 2007
Meu coração...
Dor.
Que clichê, dirias.
Não, não...
Eu estou falando de dor física mesmo, não aquelas que o amor gera.
Dor no peito sim, mas literalmente.
Ok. Exames. Mais exames. Exames. Mais exames.
Qual o meu problema, doutor?
Qual o meu problema, doutor?
E ele me olha com aquela velha expressão de seriedade, como quando me disseram que meu tio tinha morrido.
[-]
E me disseram que eu tenho problemas de coração. Mas, ora bolas!
Que absurdo.
E eles precisaram de um exame pra saber disso, esse fato triste que eu sempre soube?
[-]
Basta olhar o meu histórico de romances, e terás a plena certeza de que eu tenho um problema de coração.
O mais estranho, é que meu braço esquerdo nunca dói.
Segunda-feira, Agosto 06, 2007
Fel...fel... felicidade.
Felicidade.
Felicidade como sentido de vida,
Como caminho.
Felicidade como sentido de vida,
Como caminho.
Razão de viver.
Felicidade como que moldada,
Planejada,
Esculpida no mármore da vida.
Felicidade vítrea.
Felicidade suprema,
Onipresente...
Onisciente.
Constante & suprema.
Por?
Felicidade sem motivo,
Sem felicidade.
Banalização.
Quem nunca provou do fel,
Não sabe o quão doce
- verdadeiramente -
é o mel.
Quinta-feira, Agosto 02, 2007
Pão! Pão! Pão! Pão!
Terça-feira, Julho 31, 2007
Uma caneca de café.
[-]Eu estava moído, é verdade, mas obrigado a continuar naquele trabalho árduo. Afinal de contas, perder o trampo era algo fora de cogitação: a mãe me deixou um apartamento (ou deveria dizer apertamento?), tudo bem, mas eu ainda precisava pagar o condomínio. Estranho, contudo, são as idéias que temos quando estamos com o físico tão cansado que a mente foge pra não sentirmos dor.
[-]
Café, o momento sagrado do café!
Eu estava urrando pelo beijo meio-amargo daquela caneca gorda de café, pontual, dia após dia. Talvez ela pudesse me ajudar a superar a languidez, a moleza - e a manter o meu emprego, obviamente.
Emprego...
Que tipo de imperalismo é a relação patrão/empregado?
Imagino, os decretos do Rei-Presidente:
"- Está vetado, no dia de hoje, por motivos de economia, o momento do cafezinho.".
[-]
Não!!!!!
Isso mereceria uma revolta armada - e quanto mais armada, melhor. Quem em sã consciência privaria a Criatura-Proletário do seu cafézinho matinal e pontual?
Empunhariamos rifles e metralhadoras, matariamos os conservadores e mandões. Dominariamos as máquinas de cafezinho - escravizariamos as tias que o fazem!
E no final, teriamos a cabeça do cabeça desse Rei-Presidente, e fumariamos um cigarro durante o expediente.
[-]
E o mais legal é que lembro de ti, quando sinto o cheiro de café...
[-]
Dos poucos prazeres que me restam...
Segunda-feira, Julho 30, 2007
Vinicius, velho, saravá!

[-]
Estranho, tem tanta gente legal por aí, e nós nem imaginamos... Acabei fazendo uma amiga nova hoje e, entre conversas fluidas, acabei me lembrando de muita coisa da minha adolescência. Legião Urbana. Fiz questão de colocar o albúm do acústico na play list e ouvir todo. Vinicius de Moraes. Fiz questão de catar os livros que eu tinha em casa e ler de novo.
[-]
Estranho. No meio de tudo isso, lembrei que faz tanto tempo que eu tenho perdido essa coisa da simplicidade. Percebi também que estou recuperando isso. Acho que muito tempo parados nos deixa meio entediado mesmo. Três anos que eu saí do colégio, né? Bah, não é pouco. Eu comecei toda esse lance de poesia com aquela coisa do "Simples e complexas", mas parece que algumas coisas das poesias vão embora com as pessoas. Outras vem quando perdemos algo, é verdade, mas acho que não é um bom "custo/benefício".
[-]
Bom, dentre todos os modernistas (e como eu gosto do Modernismo), Vinicius é um dos que mais me toca - aquela velha tríade Vinicius de Moraes, Mário Quintana, Carlos Drummond - E esse poema dele que vou postar sempre significou muito pra mim. É simples, sim, mas é condizente com o momento (ah, sua bolota... ainda me piras...).
[-]
Dialética
É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...
Vinicius de Moraes
[-]
E um dia eu ainda me acho em algum lugar... E nunca é tarde pra recomeçar o que não começou: a vida!
Alegria!
Meu país é a felicidade,
Resonante, urrando!
Colorida, bêbada, veloz
Felicidade de quem vive
Hoje...
Minha ditadura é o tédio
- Tão envolvente e soturno -
Que chega rápido e furtivo
Quando não te vejo.
E espero ainda,
Que ele me exile,
Em teu corpo.
E espero ainda,
Que teu corpo branco,
Me respire,
Me mate...
Mas nunca me roube a felicidade
De ter país e exílio
Juntos.
Segunda-feira, Julho 02, 2007
Despedaçado
Ah, absorver-te toda em meu ser,
Saber que a tarde corre lenta,
E que nosso mundo não desabará...
Ah, a consciência de tua pele...
Os pequenos fragmentos coloridos
Desta felicidade antes desconhecida:
Como me fazem sair do chão...
Como me fazem sair do corpo...
Eu, em minha loucura mais tenra,
Em minha carícia mais louca
- Eu, deslocado do mundo -
Saio do meu corpo despedaçado...
Saio do meu corpo, para chegar no teu...
Eduardo Schmitt Stigger
Quarta-feira, Junho 13, 2007
Bittersweet
Antes de tudo, deixo bem claro que sempre fui opositor à ideia de "Blog-diário". Minha vida pessoal é minha vida pessoal e - salvo aqueles que tem capacidade de me perceber - não sinto a necessidade de gritá-la aos quatro ventos. Se me perguntarem algo, digo sem problemas, mas deveria eu cuspi-la em cima daqueles que talvez nem queiram saber dela?
Alguma coisa, entretanto, me forçou a escrever um texto não literário hoje, depois de muito sem postar. Sim, o meu distânciamento é proposital. Não tenho mais conectado o meu MSN, não tenho mais olhado perfis do orkut, não tenho mais me importado com esse círculo de futilidades da internet. Passo por um momento confuso, no mínimo, e não tenho como fugir disso. Uma amiga me disse, dias atrás, algo sobre "crise dos dezoito". Eu ri. Acabei chegando à conclusão de "Crise da vida". Sempre estamos em meio aos problemas e, por mais que coloquemos a felicidade como ideal, como sentido de vida, como objetivo de vida, ela não passa de efemeridade. Sempre.
Mas é claro, ela deve assim ser. Se não fossem os problemas, qual seria o sentido de um sorriso? Pessoas entram e saem de nossas vidas em uma velocidade estrondosa, e nada podemos fazer. Aqueles amores que eram eternos, acabam em um segundo. Aqueles parentes que nos amam tanto, morrem... E os amigos - que são mais do que importantes - os quais nos deixam confortáveis em suas companhias, simplesmente somem, por motivo qualquer...
Eu sinto falta sim, e sou forte o suficiente para confessar. Sinto falta de amores antigos, sinto falta de parentes - nem todos, mas sinto - e sinto saudade de amigos. No fundo, creio que essa nostalgia tenda somente ao aumento, com o passar dos anos. E - a cada segundo que se passar - alguém pode acabar saindo de nossas vidas, subtamente, cruelmente.
Não, este não é um texto dramático, não é uma suposição de mal-do-século, não é um horror pessoal ou auto-flagelo. Este texto é um desabafo.
Este texto é uma pergunta:
Onde isso tudo vai dar?
Alguma coisa, entretanto, me forçou a escrever um texto não literário hoje, depois de muito sem postar. Sim, o meu distânciamento é proposital. Não tenho mais conectado o meu MSN, não tenho mais olhado perfis do orkut, não tenho mais me importado com esse círculo de futilidades da internet. Passo por um momento confuso, no mínimo, e não tenho como fugir disso. Uma amiga me disse, dias atrás, algo sobre "crise dos dezoito". Eu ri. Acabei chegando à conclusão de "Crise da vida". Sempre estamos em meio aos problemas e, por mais que coloquemos a felicidade como ideal, como sentido de vida, como objetivo de vida, ela não passa de efemeridade. Sempre.
Mas é claro, ela deve assim ser. Se não fossem os problemas, qual seria o sentido de um sorriso? Pessoas entram e saem de nossas vidas em uma velocidade estrondosa, e nada podemos fazer. Aqueles amores que eram eternos, acabam em um segundo. Aqueles parentes que nos amam tanto, morrem... E os amigos - que são mais do que importantes - os quais nos deixam confortáveis em suas companhias, simplesmente somem, por motivo qualquer...
Eu sinto falta sim, e sou forte o suficiente para confessar. Sinto falta de amores antigos, sinto falta de parentes - nem todos, mas sinto - e sinto saudade de amigos. No fundo, creio que essa nostalgia tenda somente ao aumento, com o passar dos anos. E - a cada segundo que se passar - alguém pode acabar saindo de nossas vidas, subtamente, cruelmente.
Não, este não é um texto dramático, não é uma suposição de mal-do-século, não é um horror pessoal ou auto-flagelo. Este texto é um desabafo.
Este texto é uma pergunta:
Onde isso tudo vai dar?
Sábado, Maio 19, 2007
Amnésia
= A Praia =
Houve, uma vez ou outra,
Em uma praia muito remota,
Alguém a andar pelas areias,
Com passos serenos de criança.
E depois, conforme as ondas
Voltavam para lugar nenhum,
As pegadas deixadas no solo
Deixavam-se carregar...
E haviam tantas marcas bonitas
- E marcas tristes também -
Que esta praia já não lembrava...
E haviam tantas marcas apagadas
- O tempo é uma amnésia -
Que esta praia chorava na areia.
Mas agora, sem teus passos,
Esta praia já não é a mesma.
Não me lembro de todo o teu aroma.
Não me lembro de teu sorriso.
As ondas da vida te levaram, meu amor...
Eduardo Schmitt Stigger.
Porto Alegre, 19 de Maio de 2007.
12h47.

Segunda-feira, Maio 14, 2007
Saudade
[+]
Não entendo estas coisas de paixão, meu bem. Tu estavas ali, dançando, na minha frente, mas de costas para mim. Eu podia sentir o perfume dos teus cabelos e do teu pescoço, de tão próximos que estavamos, e cada vez que a multidão fazia que nossos corpos se encostassem, era como um choque. Tanta tensão, tanto desejo eu tinha. Tesão. A voragem do sexo, do descobrir o que aquele teu vestidinho verde escondia. Era - de alguma forma - poético: eu queria muito te colocar na parede, rasgar as tuas roupas, invadir a tua boca... mas - e isso tem sido tão estranho - tenho tanta vontade de te afagar os cabelos, te ninar, te abraçar...
[+][+]
Que seja!
Há tanta voracidade, mas não consigo te atacar. Não consigo dizer-te tudo o que quero, o que pretendo. Estou acabado: és mais nova, mas me sinto uma criança perto de ti. Isso dói tanto. Estranho, além de tudo, é saber que não te amarei amanhã.
Há tanta voracidade, mas não consigo te atacar. Não consigo dizer-te tudo o que quero, o que pretendo. Estou acabado: és mais nova, mas me sinto uma criança perto de ti. Isso dói tanto. Estranho, além de tudo, é saber que não te amarei amanhã.
[+][+][+]
O que há conosco, que desistimos tão facilmente das nossas paixões, das nossas utopias e sonhos?
O que há comigo, que me apaixono toda sexta-feira, mas desisto do amor nas segundas?
O que há com o mundo, que vem desistindo da vida, do romance, das amizades tão facilmente?
[+][+][+][+]
Sinto tanta saudade das coisas que ainda não fiz...

Segunda-feira, Maio 07, 2007
Vazio
[+]

Não sei o que escrever-te, neste vazio em que me encontro. No começo, seria um poema - me confessastes ser amante do romantismo - mas depois acabou virando uma carta. Agora, já não sei o que é. A falta de formato, de regra, de rima me é tão atraente. Aliás, dentre as tantas coisas que me atraem, estão a madrugada e a fuga às regras. Acho que vejo a troca "dia-noite" como uma fuga, uma rebeldia.
Todos dormem, eu escrevo: paixão dupla.
[+][+]
É madrugada agora e, como sempre, estou sem o mínimo sono. Há tantas coisas que me impedem de dormir: tabaco, café, bons livros, problemas, paixões e a minha cabeça "pipocando" de idéias são os motivos mais comuns. Mosquitos. Ah, se tu soubesses o quanto eu odeio mosquitos...
Que seja, meu motivo de insônia é outro, hoje. Quem sabe se tu não tivesses sorrido para mim esta tarde, eu não estivesse insone.
[+][+][+]
Como é estranho manter-se acordado por causa de um sorriso. Depois de uma beleza daquela magnitude, sempre surge a idéia de conspiração, de amor (e o amor é a maior das conspirações). Cumplicidade. Ninguém sorri daquela forma sem estar muito confortável. Suponho que gostastes de mim também.
[+][+][+][+]
Teria sido mútuo o sorriso? Será que em minha essência, sem perceber, eu fiz desabrochar uma flor em minha boca também? Ah, quanta esperança, pensar que gostastes de mim. Seria possível? Se for este o caso, então ainda estás acordada (e, como eu, conspirando).
Acho que estou apaixonado por ti.
[+][+][+][+][+]
Qual seria o problema de uma ligação no meio da madrugada?

Quinta-feira, Abril 26, 2007
Um longo suspiro...
[+]
Era um quarto de paredes brancas, com uma luz fraca. Quadros de Charles Chaplin e Gandhi. Escrivaninha. Colchão sem estrado. Era o típico apartamento de estudante com pouca grana.
O lugar cheirava à maconha e absinto, e alguém derramara vinho no carpete cinza. Livros, aos montes, povoavam o chão, empilhados ao lado do colchão.
Havia um cinzeiro também, inundado de baganas.
[+][+]
Os dois - assexuados, neste texto - estavam lado à lado, deitados na cama rasteira. Olhavam o teto, com um ar de profundidade.
Quatro cartelas de Benflogin, vazias, espalhadas pelo lugar... E a madrugada corria.
Terça-feira?
Terça-feira...
E a madrugada corria...
E há dia certo para anestesiar a dor de viver? Há dia certo para ver uma verdade escondida de baixo da realidade?
[+][+][+]
Mais silêncio: olhares fixos no teto - se é que ambos enxergavam a mesma coisa.
Um se pronuncia:
- Eu vi uma flor caleidoscópica...
E a outra responde:
- Eu vi um Cupido que não disparava flechas, mas dava chibatadas...
[+][+][+][+]
Sábado, Abril 21, 2007
Fogo...
[+]
= Fogo =
Nos teus cabelos, mulher,
Arde o fogo ancestral, primordial ,
O fogo que foi roubado de um deus pagão,
Há muito já esquecido.
Fogo. Espalhou-se pelo teu corpo todo,
Tua mente, ventre, boca.
Teus olhos ardem, Ruiva.
O que procuras, em tuas ânsias noturnas?
Não sei, não sei. Mergulha nos sonhos.
Te salvaria milhões de vezes,
Em nossos sorrisos conjuntos...
E, mesmo assim - ardor de distância -
Mergulharia eu, no teu corpo febril,
E te traria volta à consciência.
Eduardo Schmitt Stigger.
Porto Alegre, 21 de Abril de 2007.
22h 55min.
= Fogo =
Nos teus cabelos, mulher,
Arde o fogo ancestral, primordial ,
O fogo que foi roubado de um deus pagão,
Há muito já esquecido.
Fogo. Espalhou-se pelo teu corpo todo,
Tua mente, ventre, boca.
Teus olhos ardem, Ruiva.
O que procuras, em tuas ânsias noturnas?
Não sei, não sei. Mergulha nos sonhos.
Te salvaria milhões de vezes,
Em nossos sorrisos conjuntos...
E, mesmo assim - ardor de distância -
Mergulharia eu, no teu corpo febril,
E te traria volta à consciência.
Eduardo Schmitt Stigger.
Porto Alegre, 21 de Abril de 2007.
22h 55min.
Quarta-feira, Abril 18, 2007
Domingo pós-boteco
[+]
Noite destas, não faz muito tempo, acabamos contrastanto com a festa, ela e eu e eles. Éramos todos intelectuais de boteco, e nossa pouca idade também fazia contraste com as cigarrilhas, os cachimbos e a vodka. Hoje, não sei onde terminava a ousadia e começava o caminho da auto-destruição (ou suicídio semi-consciente, como ela chamava).
[+][+]
Aliás, como era divina. Não só pelos atributos físicos fortemente presentes: o que eu vi primeiro nela foi a mente, o espírito. Foi extremamente utópico, sabe?
E foi naquela noite - onde a banda era cover de The Who e o vocaista parecia o Caetano - que tudo começou.
[+][+][+]
Lembro que a mesa onde ela e eu e eles estavamos era colada na pista de dança. Em nossa volta, tudo estava abarrotado de gente (e gente é chata pra caraleo). Fiz questão de ir buscar uma tequila no bar. Ela acompanhou-me.
Sempre nos destacamos deles. Acho que era o nosso gosto pelas boinas francesas, porém, eu tinha olhos verdes, e ela cabelos cacheados.
Viramos nossas tequilas em "one shot", e tudo já parecia "one night standing".
Pensei em dizer algo:
[+][+][+][+]
- Faz tempo que eu sinto uma vontade absurda de te beijar, sabias?
[+][+][+][+][+]
Ela não respondeu nada, só mordeu o carnudo lábio inferio. Hoje, eu tenho fios de cabelo ruivo nos meus lençóis e nas manhãs de domingo pós-boteco.
Noite destas, não faz muito tempo, acabamos contrastanto com a festa, ela e eu e eles. Éramos todos intelectuais de boteco, e nossa pouca idade também fazia contraste com as cigarrilhas, os cachimbos e a vodka. Hoje, não sei onde terminava a ousadia e começava o caminho da auto-destruição (ou suicídio semi-consciente, como ela chamava).
[+][+]
Aliás, como era divina. Não só pelos atributos físicos fortemente presentes: o que eu vi primeiro nela foi a mente, o espírito. Foi extremamente utópico, sabe?
E foi naquela noite - onde a banda era cover de The Who e o vocaista parecia o Caetano - que tudo começou.
[+][+][+]
Lembro que a mesa onde ela e eu e eles estavamos era colada na pista de dança. Em nossa volta, tudo estava abarrotado de gente (e gente é chata pra caraleo). Fiz questão de ir buscar uma tequila no bar. Ela acompanhou-me.
Sempre nos destacamos deles. Acho que era o nosso gosto pelas boinas francesas, porém, eu tinha olhos verdes, e ela cabelos cacheados.
Viramos nossas tequilas em "one shot", e tudo já parecia "one night standing".
Pensei em dizer algo:
[+][+][+][+]
- Faz tempo que eu sinto uma vontade absurda de te beijar, sabias?
[+][+][+][+][+]
Ela não respondeu nada, só mordeu o carnudo lábio inferio. Hoje, eu tenho fios de cabelo ruivo nos meus lençóis e nas manhãs de domingo pós-boteco.
Segunda-feira, Abril 16, 2007
Consciência ainda que tardia.
[+]
Fundo de pano negro, roupas negras, tudo teatral. Escuro. Momentaneamente, acende-se um risco de luz, sobre minha pessoa. Nós estavamos ali, sentados, parados, enlaçados nas cadeiras de madeira chamuscada. O cheiro dos cigarros de canela tomava o ar, como se nos obrigassem a tragar de seu aroma doce e mórbido. Nenhum de nós falava palavra sequer, e a noite estava, em algum aspecto, nostálgica. Aquela banda, aquele bar, todas aquelas pessoas conversando sobre todos aqueles assuntos...
Pensei em suicídio. Uma dose mortal de um disparo na cabeça, de forma rápida e indolor. Sim, sempre fui muito covarde. Aliás, teria de achar um lugar estratégico para perfurar: gosto do drama, e não queria que minha imagem fosse destruida por um disparo de trinta e oito. Queria que as pessoas se lembrassem de minha cara como ela era, com esse tipo de beleza exótica que possuo. Tudo bem, foram poucos os que me acharam belo, mas eles estavam certos.
Ok! É suicídio então. Preciso esperar a banda terminar: sempre gostei desse vocalista, e ele está há poucos metros neste momento; sem falar que eu quero que todos escutem o tiro - drama, saca?
Mas, espera aí... Qual o motivo disso tudo mesmo?
Ah... lembrei...
[+][+]
Mais uma dose, capitano, essa noite eu paro mesmo de beber! E esse vai ser o meu último porre, em nome da falecida. Mas quem morreu mesmo? Ah, sim, a consciência...
[+][+][+]
A maldição suprema - de todos nós - é ser esquecido, é sentir saudade de tempos que nunca existiram e de minutos que nunca virão.
[+][+][+][+]
Aquela noite, eu suicidei a minha consciência.
Fundo de pano negro, roupas negras, tudo teatral. Escuro. Momentaneamente, acende-se um risco de luz, sobre minha pessoa. Nós estavamos ali, sentados, parados, enlaçados nas cadeiras de madeira chamuscada. O cheiro dos cigarros de canela tomava o ar, como se nos obrigassem a tragar de seu aroma doce e mórbido. Nenhum de nós falava palavra sequer, e a noite estava, em algum aspecto, nostálgica. Aquela banda, aquele bar, todas aquelas pessoas conversando sobre todos aqueles assuntos...
Pensei em suicídio. Uma dose mortal de um disparo na cabeça, de forma rápida e indolor. Sim, sempre fui muito covarde. Aliás, teria de achar um lugar estratégico para perfurar: gosto do drama, e não queria que minha imagem fosse destruida por um disparo de trinta e oito. Queria que as pessoas se lembrassem de minha cara como ela era, com esse tipo de beleza exótica que possuo. Tudo bem, foram poucos os que me acharam belo, mas eles estavam certos.
Ok! É suicídio então. Preciso esperar a banda terminar: sempre gostei desse vocalista, e ele está há poucos metros neste momento; sem falar que eu quero que todos escutem o tiro - drama, saca?
Mas, espera aí... Qual o motivo disso tudo mesmo?
Ah... lembrei...
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Mais uma dose, capitano, essa noite eu paro mesmo de beber! E esse vai ser o meu último porre, em nome da falecida. Mas quem morreu mesmo? Ah, sim, a consciência...
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A maldição suprema - de todos nós - é ser esquecido, é sentir saudade de tempos que nunca existiram e de minutos que nunca virão.
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Aquela noite, eu suicidei a minha consciência.
Segunda-feira, Abril 02, 2007
Enlaçado...
= Poema Enlaçado =
Eu rasgo papéis antigos,
Dentro do meu quarto secreto,
Neste dia mais que chuvoso.
Nunca mais! Nunca mais!
E as fotos, sorrindo-me
(Fotos de uma outra vida),
Pedem: "- Nos queime..."
Nunca mais! Nunca mais!
Cartas e convites burgueses,
Declarações e endereços:
Saudações ao inferno, amor!
Nunca mais! Nunca mais!
Minha mente já está em paz,
Meu corpo já não dói tanto.
Achei o meu lugar - pranto -
Nunca mais! Nunca mais!
Nunca mais ao passado,
Sempre o futuro contigo.
Nunca mais à insônia metódica,
Sempre ao sono, embalado
Por teus doces afagos...
Corpos abraçados,
Mentes enlaçadas...
Eduardo Schmitt Stigger.
30/05/05
Eu rasgo papéis antigos,
Dentro do meu quarto secreto,
Neste dia mais que chuvoso.
Nunca mais! Nunca mais!
E as fotos, sorrindo-me
(Fotos de uma outra vida),
Pedem: "- Nos queime..."
Nunca mais! Nunca mais!
Cartas e convites burgueses,
Declarações e endereços:
Saudações ao inferno, amor!
Nunca mais! Nunca mais!
Minha mente já está em paz,
Meu corpo já não dói tanto.
Achei o meu lugar - pranto -
Nunca mais! Nunca mais!
Nunca mais ao passado,
Sempre o futuro contigo.
Nunca mais à insônia metódica,
Sempre ao sono, embalado
Por teus doces afagos...
Corpos abraçados,
Mentes enlaçadas...
Eduardo Schmitt Stigger.
30/05/05
Quinta-feira, Março 08, 2007
Tente outra vez, honey...
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- Então - disse o cara - você quer sair da minha vida, correto?
E ao dizê-lo, tragou longa e calmamente o seu cigarro...
- Não! - disse a moça - Eu quero só dar um tempo, sabe? Estou me sentindo sufocada, mas não quero te perder, nunca... Acho que podemos nos afastarmos por uns tempos, sabe? Depois nós podiamos voltar a ter tudo o que temos...
O cara tragou o cigarro, mais uma vez, sem olha-la nos olhos. Ele observava algo, no horizonte, pela janela.
- Então, você não tem medo das conseqüências disso tudo?
E traga mais uma vez, com o seu novo ar de desdém.
- Conseqüências?
Ele apaga o cigarro, e calmamente vira-se, olhando-a nos olhos.
- Meu amor, todas as experiências desta vida são vividas às nossas custas, e o simples fato de viver... O simples fato de viver, não passa de uma rolagem de dados. Estamos jogando com a sorte, meu bem.
- Mas eu não quero... não quero perder nada do que tenho.
- Então, nesse caso, amor, posso te dizer duas coisas: aqueles que temem perder, nunca aproveitam a vida com toda a sua magnitude, e o teu discurso simples e confuso, hoje, aqui, já te fez perder uma das coisas que podem ter mais valor em uma vida.
- O quê?
- Uma pessoa que te ama... Tu, em teu pequeno mundo, consegues entender a grandiosidade de um amor verdadeiro? A falta de limites, a paixão, a prepotência, a impulsividade de um amor?
-Mas eu não quero te perder, cara...
-Mas tu já perdestes, amor, e creio que esta primeira perda, possa vir a fazer com que tu aproveites mais a vida, de uma forma como tu nunca antes imaginastes. Do meu íntimo, chéri, te desejo toda a sorte do mundo, mas nossos caminhos já não podem ser trilhados juntos.
A garota, aparentemente desiludida, começa a chorar...
Ele olha, por um segundo, enquanto levanta-se, e antes de virar-se para ir para casa, apoia as duas mãos sobre o tampo de mármore gelado da mesa, e diz:
- Um lobo leal nunca sequer cogita a hipótese de abandonar a matilha. O lobo verdadeiro é forte em sí mesmo. Eu te amo, e por amor, vou deixar tu sofreres.
Ele vira-se, acende um cigarro, e segue o seu próprio caminho.
- Então - disse o cara - você quer sair da minha vida, correto?
E ao dizê-lo, tragou longa e calmamente o seu cigarro...
- Não! - disse a moça - Eu quero só dar um tempo, sabe? Estou me sentindo sufocada, mas não quero te perder, nunca... Acho que podemos nos afastarmos por uns tempos, sabe? Depois nós podiamos voltar a ter tudo o que temos...
O cara tragou o cigarro, mais uma vez, sem olha-la nos olhos. Ele observava algo, no horizonte, pela janela.
- Então, você não tem medo das conseqüências disso tudo?
E traga mais uma vez, com o seu novo ar de desdém.
- Conseqüências?
Ele apaga o cigarro, e calmamente vira-se, olhando-a nos olhos.
- Meu amor, todas as experiências desta vida são vividas às nossas custas, e o simples fato de viver... O simples fato de viver, não passa de uma rolagem de dados. Estamos jogando com a sorte, meu bem.
- Mas eu não quero... não quero perder nada do que tenho.
- Então, nesse caso, amor, posso te dizer duas coisas: aqueles que temem perder, nunca aproveitam a vida com toda a sua magnitude, e o teu discurso simples e confuso, hoje, aqui, já te fez perder uma das coisas que podem ter mais valor em uma vida.
- O quê?
- Uma pessoa que te ama... Tu, em teu pequeno mundo, consegues entender a grandiosidade de um amor verdadeiro? A falta de limites, a paixão, a prepotência, a impulsividade de um amor?
-Mas eu não quero te perder, cara...
-Mas tu já perdestes, amor, e creio que esta primeira perda, possa vir a fazer com que tu aproveites mais a vida, de uma forma como tu nunca antes imaginastes. Do meu íntimo, chéri, te desejo toda a sorte do mundo, mas nossos caminhos já não podem ser trilhados juntos.
A garota, aparentemente desiludida, começa a chorar...
Ele olha, por um segundo, enquanto levanta-se, e antes de virar-se para ir para casa, apoia as duas mãos sobre o tampo de mármore gelado da mesa, e diz:
- Um lobo leal nunca sequer cogita a hipótese de abandonar a matilha. O lobo verdadeiro é forte em sí mesmo. Eu te amo, e por amor, vou deixar tu sofreres.
Ele vira-se, acende um cigarro, e segue o seu próprio caminho.
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