Terça-feira, Outubro 28, 2008

- IV -


Eu alvoreço,
Tu alvoreces,
Ele alvorece
Em meio a esse
Alvoroço.

Viver?
Melhor é não levantar
Antes do almoço.
Viver é um desperdício!
Eu adormeço...

As outras pessoas não.

Segunda-feira, Outubro 27, 2008

- Avulsa -


Surgiste tão de repente,
E tão bem
E tão leve
Naquele teu vestidinho,
Maria Luísa,
Que perder-te
De vista
Foi um tormento.

Quarta-feira, Outubro 22, 2008

Falando de amor


Eu nunca sei o que falar. Quer dizer... o que sinto, às vezes, é uma grande mágoa. Não em relação ao que poderia ter acontecido - suposições não me tiram mais o sono - mas em relação ao que eu fiz. Sei que fui um babaca - isso me é claro hoje - e olhando depois desse tempo todo, algumas falhas minhas me parecem mais visíveis. Quem me dera conhecer todas elas. Algum dia, realmente gostaria de conversar contigo, sabe? Colocar tudo em pratos limpos, tudo. O pior é pensar que me vendi como um galã, mas recebeste um saco de coco. Não atendi às expectativas, ? Realmente, a minha única intenção era te agradar.
Sei que sou calado, sempre foi característica minha. Às vezes, fico sem assunto nenhum, mas gostaria de ter te contado mais sobre a minha vida (será que gostarias de saber?). Continuo com esse ar contemplativo até hoje, mas a minha confusão sobre as coisas, sobre os males do mundo, sobre a maldade das pessoas, sobre amar e sofrer... Enfim, minha confusão existencial persiste - e só aumenta. É realmente difícil achar um lugar confortável ultimamente. Escrever é algo que já nem cogito. Quer dizer... É, eu sou calado, mas juro que sempre que não tinha o que dizer, ficava contemplando teu sorriso. Nossa, como eu amo teu sorriso! Putz... é foda ser sincero dessa forma, sabe? Eu não sou de me abrir, mas sempre fui devotado.
Comentei com poucas pessoas o que aconteceu. Sobre o que sinto - ou sintia - só falei algumas partes soltas, para um amigo ou outro... Não citei teu nome: nestas narrativas curtas, sempre foste simplesmente uma fada, uma aparição perfeita e onírica que veio me assaltar no leito e que eu nunca superei de fato. Acho tão tosca essa história de superar, sabe? Vou sempre levar a tua essência comigo, onde quer que eu vá, ainda que não sintamos mais o mesmo. Meu amor por ti se transformou, de forma que sinto uma admiração gigantesca pela mulher que te tornaste.
Ah! E que mulher te tornaste. Posso dizer que sou o cara mais sortudo do mundo: quando eu te conheci, eras uma coisinha pequena e feliz - tá, continuaste sendo depois, mas, incrivelmente, sei que presenciei o exato momento da tua transição de menina à leoa. Essa foi uma das experiências mais enriquecedoras de minha vida. Eu, particularmente, te dei pouco, sei disso hoje.
Sei lá, tudo parece meio trosco se olhado por esse meu ângulo, mas eu me sinto maduro agora, e há tempos preciso falar isso tudo. Ser sincero é foda, é desconcertante. Quer dizer... Quem sabe quando vais ler isso - se é que vais ler?
O mais foda dos textos é o final, sabe? Eu nunca sei como terminar. Sempre parece que ficou vago, que ficou faltando algo pra ser dito, que ainda é possível dar um significado maior, mais bonito, mais digno... Mas quando penso em tudo o que passou, o que quero é agradecer o fato de ter estado contigo o tempo que estive e seguir adiante, serenamente, silenciosamente - da mesma forma que cheguei. Me envergonho das coisas bestas que eu disse, dos momentos de raiva, fraqueza, de ego... Eu acho que me senti machucado demais. Eu me senti sem chão, na verdade. O que eu sentia por ti era amor demais, demais e demais. Era tanto amor que parecia que seria imortal, e - apesar de não ter sido - foi infinito pra mim.
Só poderia terminar esse texto dizendo que toda a felicidade - e mesmo toda a tristeza, pois é preciso refletir - é pouca pra ti. Tu és um poço de sentimentos e sutilezas, e mereces o universo...

Segunda-feira, Outubro 06, 2008

Meus olhos dormem sobre o teu corpo


Meus olhos dormem
Sobre teu corpo fatigado
De tanto amor.
E que amor é esse
Que sempre desespera?

É que teus olhos cravam
Esperanças ardidas nesse coração
Morto que meu peito vela.

Meus olhos buscam tua boca
Cada vez que falas
Com esse teu ar quente e vagaroso...
Mas de onde vem esse calor
Atroz que me aparafusa no chão?

É que meus olhos dormem
Sobre teu corpo fatigado,
Enquanto teus olhos dormem
Ao frescor da madrugada.