Meu ser se perdeu de mim, deixou ao relento
Essa casca seca e retorcida que hoje arrasto
- Casca desprovida de poesia, casca que invento
E que, sobre ombro dolorido e imensamente vasto
Sustento, só por sustentar. Ócio de meus dias,
Eterna desvontade de existir. Que posso fazer
Se o amor que em mim bem querias
Se extinguiu de todo prazer?
Já não sou o que eu era,
Já não sei mais me sentir, então;
E - em plena primavera -
Me imunizo de qualquer paixão...
Meu rosto esquecido seca triste
Numa estação que inexiste.
Sexta-feira, Setembro 25, 2009
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