Sábado, Outubro 17, 2009

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Tu perdeste de tuas mãos
Minhas mãos,
Perdeste de teu olhar
Meu olhar.

O que poderá restar? Essa
Estranha e vazia e paralítica
Sensação de que poderia ter sido bom
- Porém não tivemos coragem...

O que poderá restar?
A busca de algum traço de perfeição,
A lembrança do bálsamo do amante?

O que poderá restar? Se tudo que ainda sou
É a lembrança pequena e quente que guardo
Dos teus lábios colados em meus lábios?

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No final do mundo
- Ou pelo menos, amigos,
Amigas,
No final do meu mundo -
Meu olhos estagnados
Serão
Brevemente
Uma lembrança
Desse desespero todo
Que aflige meu corpo cru,
Que lacera minha alma nua.

Meus olhos serão o brilho
Da desesperança.

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Todo o silêncio se desdobra,
Se multiplica
Nas ondas da noite
E do acaso rouco.

Cansaço, eu diria,
Ou pura melancolia
- Ou puro tédio.
Simplesmente a solidão.

Onde foi que guardei
- Há tanto tempo -
Meus cabelos compridos?!

Onde estão minhas perucas,
Minhas pinturas, minhas máscaras?!
Tudo o que havia, perdeu-se de mim...

Terça-feira, Outubro 13, 2009

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Eu esperava que teus seios
Escorressem
Em minha boca
Humilde e ávida,

E que, depois,
Esta mesma boca
Encontrasse repouso
Em tuas pernas.

Eu esperava devorar
Teu pescoço
Lentamente,

Mas aconteceu
Que por tamanha espera
Sequer toquei teus cabelos.

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Eu não existo
- Bem, já não sei se quero
Existir, de fato -
Mas deslizo
Silenciosamente
Por mundos
Que ninguém conhece.

Deslizo
- Suave e buliçoso -
Nas formas
- Nas ondas -
Da fumaça
Do fumo.

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

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Não tenho o que pensar
- Ou mesmo motivos
Para pensar. A vida,
Afinal de contas,
Passa a ser simplesmente
Mais feliz
Quando o ser
Veste-se de nada

- E a felicidade é tudo
Que importa,
Não?