Segunda-feira, Novembro 02, 2009

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Desde que partiste,
Guardo de ti a saudade,
Um cacho de cabelo
E um brinco - solitário,
Falecido de seu par.

*

Um brinco em formato
De coração... Ironicamente.

*

Desde que partiste,
Tranquei
Meu coração
Em um baú
E joguei-o
Ao mar.

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Olhei o espelho:
Dura crosta de concreto,
Estátua estática do desespero

- Mas, por dentro,
Não sou assim.
Por dentro me derreto
Em lágrimas...

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Quem deu esse toque
De melancolia atônita
Ao meu ser desmesurado?
- Eu sou só coração.

Uma doçura gigante,
Desfilando dores atrozes
Nas manhãs tristes
Da vida.

Eu nasci
Para sofrer?

- 3.215 -

Eu nasci
Para a fumaça
Das manhãs pálidas,
Para o enigma da noite,
Para o aborto da aurora.

Eu nasci...
E perdido em teu seio
Procuro o traço que conduza
O que ainda há de consciência.
Gozo...

Desfaço-me;
Absorve-me
teu ventre de barro...

O dia que corre lá fora
- Austero e amargo -
Traz consigo uma luz
Que não consta nos manuais;
É paixão!?

Não,
Paixão
É sofrimento.